VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

QUERIAM FESTIVAL? Tomem lá um “Parque Temático”!

 “O largo do Casal, mais conhecido como o recinto do festival de Vilar de Mouros, vai ser transformado num parque temático de música. O projecto é da Junta de Freguesia e da Câmara de Caminha. A Presidente da Junta, Sónia Fernandes, explica que o objectivo é rentabilizar o local de forma a torná-lo utilizável durante todo o ano. A autarca de Vilar de Mouros admite que este parque temático poderá alavancar o regresso do Festival a Vilar de Mouros, que nada garante que seja já este ano. As conversações com as empresas interessadas prosseguem, garante Sónia Fernandes, mas ainda não foi escolhida aquela que já deveria estar a negociar com as grandes bandas.
Novas infra-estruturas eléctricas e a requalificação do palco do largo do casal são duas das principais a avançar para constituir este parque temático de música em Vilar de Mouros.”
O que acima escrevi é a transcrição (sic) do que consta na edição on-line da Jornal Caminhense – caminhense.com, de 10 de Fevereiro, ontem, na página “informativa” (?) que a Câmara Municipal usa regularmente naquele órgão de comunicação e paga, e bem, com o NOSSO dinheiro.
Ao ler esta informação ocorrem-me uma série de questões, dúvidas e, sobretudo, uma quase certeza: em 2011, ano em que deveria ser comemorado o 40º aniversário do mítico e inesquecível Festival de 1971 (com Elton John e Manfred Man), simplesmente…volta a não haver Festival! Mas alguém terá ainda dúvidas? A própria Presidente da Junta o reconhece quando afirma “ainda não foi escolhida aquela (empresa) que já deveria estar a negociar com as grandes bandas”. Está tudo dito! A ser feita alguma coisa não passará, seguramente, de um mini-evento sem qualquer significado e dignidade para assinalar tão importante efeméride e com o único objectivo de disfarçar mais um rotundo fracasso da política deste executivo municipal.
Sim, porque é, nem mais nem menos, o QUINTO ANO CONSECUTIVO sem que se realize o maior acontecimento mediático e musical do concelho de Caminha e o executivo camarário liderado pela actual presidente é o grande responsável por isso. Fez tudo o que esteve ao seu alcance para destruir um protocolo que previa a realização de seis edições de festival, de 2005 a 2010 e conseguiu-o logo em 2007 quando havia ainda quatro por cumprir. (http://vilardemouros-sempre.blogspot.com/2010/07/festival-de-vilar-de-mouros-2010.html ) Está, portanto, de parabéns! A culpa, claro, atribuiu-a à Junta de então, à incapacidade da empresa organizadora e ao facto de a Câmara não integrar o protocolo em vigor na altura (resolvido em Abril de 2009).
Então agora, com tudo nas mãos e uma junta da mesma cor apetece perguntar por que diabo não é possível pôr de novo em pé tão importante acontecimento? Não o foi em 2010 e também não o será em 2011?
Como se pode entender que uma pequena Junta tenha sido capaz, sozinha, sem ajudas de qualquer entidade, de enfrentar todas as dificuldades e reerguer, em 1999, um tão importante evento (que obrigou, por exemplo, à necessidade de aquisição de todos os terrenos da Chousa - cerca de 5 hectares… hoje propriedade da freguesia), conseguindo ainda significativos benefícios materiais para a terra e hoje, Câmara e Junta, em parceria, não sejam capazes de criar as condições mínimas, com tanto trabalho prévio já desbravado, para a retoma do festival?! Sinceramente, isto ultrapassa toda a minha capacidade de compreensão. Será também culpa da crise (tem as costas largas)?
 Duvido, porque para este tipo de eventos há sempre uns tostõezinhos que se põem de lado e muitos outros de bem menor prestígio que o de Vilar de Mouros vão sendo realizados com enorme sucesso. Então o que leva ao arrastamento das negociações e ao evidente retraimento das empresas que ainda há bem pouco estavam dispostas a pagar, e bem, para poderem realizar o festival? Só vejo, mesmo, uma razão: é que gato escaldado a água fria tem medo e os eventuais interessados, conhecedores como são do que aconteceu com as últimas edições efectuadas, em que a atitude camarária foi muito mais de bloqueio do que de apoio, terão receio de se aventurarem num protocolo que vá para além de 2013 (e estas coisas dificilmente se fazem só por um ano ou dois) porque aí ocorrerão outra vez eleições autárquicas e a possibilidade de uma eventual derrota do PSD para a junta, mantendo-se a mesma força política no município, traz fatalmente à memória de todos cenas tristes de um filme de terror já visto.
Ora estas organizações arriscam muito dinheiro e não gostam, como é natural, de se meter em aventuras que envolvam riscos de guerrilhas inadmissíveis em democracia mas que são, infelizmente, recorrentes no concelho Caminha. E que pensarão de tudo isto os vilarmourenses em particular, sobretudo os jovens, e os caminhenses em geral, em especial aqueles que mais têm a perder com o arrastar interminável desta situação?
Não sei mas, para se animarem um pouco, há uma coisa que eu quase posso garantir: é que, se não for antes, em 2013 pelo menos, a Sra Presidente da Câmara e o poder executivo concelhio do PSD vão esquecer-se de que “o Festival é um negócio”, como a primeira afirmou em Assembleia Municipal de Dezembro último, abrirão os cordões à (nossa) bolsa e avançarão sem hesitações para um grande festival! Ah pois, em períodos pré-eleitorais dinheiro é o que nunca falta! Aceitam-se apostas!

Deixando o festival de lado, outras questões me são levantadas por esta “informação municipal” como, por exemplo:
- qual o real significado da bela expressão “parque temático de música”? Será que por detrás dela mais não se encontra do que a intenção de proceder a umas obrazitas de fachada, servindo a escolha deste bonito nome apenas como paliativo para aliviar as dores da constatação de que não vai haver Festival 2011?
- sendo indesmentível que o palco justifica, desde há muito, obras de vulto (basta ver as fotografias (clicar para ampliar) do estado de degradação a que chegou, com a chuva a entrar por tudo quanto é sítio, para além dos inevitáveis estragos provocados pelas águas das enchentes), sabe-se pouco ou nada do que vai, realmente, ser feito.
Existe algum projecto de requalificação do palco e, no essencial, em que consiste? Está prevista a protecção contra a invasão das águas em cheias futuras?
- quando se diz que “o largo do Casal, mais conhecido como o recinto do Festival de Vilar de Mouros” quer-se também dizer que eventuais futuros festivais se restringirão apenas ao Largo do Casal, como na versão inicial, ficando de fora todo o imenso Largo Dr. António Barge?
- como é público, foi celebrado um protocolo tripartido, em 2008, entre Câmara, Junta e Grupo Motard, onde se consubstancia a cedência, julgo que por um período de 30 anos, a esta associação vilarmourense, do palco do Casal e seus anexos; esse protocolo prevê mesmo a construção, a fazer pelo grupo, de um andar por cima do actual bar, para servir de sede e base de apoio às suas actividades culturais e recreativas; pergunta-se: o protocolo é mesmo para cumprir e, em caso afirmativo, como se vai poder conciliar a execução de obras no mesmo edifício por duas entidades diferentes, com a agravante de uma ser pública e outra privada?

A concluir quero deixar bem claro que não é minha intenção, minimamente, beliscar o papel da Junta de Freguesia em todo este processo e muito menos o da sua presidente, pessoa cujo comportamento sempre mereceu, antes e depois de ser eleita, a minha consideração e respeito. O problema está, como digo há muito e eu não mudo de opinião quando desempenho cargos ou estou fora deles, na total falta de recursos e competências das juntas, em contraponto com outros poderes que gastam, a seu bel prazer, o que têm e o que não têm, hipotecando o futuro das gerações seguintes ao sabor de interesses conjunturais, de grupos, de clientelas e de estratégias eleitoralistas. Depois dizem-se muito preocupados com a elevada abstenção, sobretudo nas camadas mais jovens!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 - Vilar de Mouros

O resultado final das eleições com vista à escolha do Presidente da República para o mandato 2011 / 2016 foram, a nível nacional, aquilo que já há muito se adivinhava: a recondução de Cavaco Silva nessas funções. Não houve, assim, qualquer surpresa, até porque todos os presidentes têm sido, depois do 25 de Abril, reeleitos à primeira volta para o segundo mandato (Ramalho Eanes e Cavaco Silva foram-no também para o primeiro, respectivamente em 1976 e em 2006). Não sendo eu comentador ou analista político, não pretendo, nem estou interessado, nem quero perder muito tempo a tecer grandes considerações que já foram, para todos os gostos, escalpelizadas pelos especialistas do costume. Há no entanto um aspecto, que também já era previsível, para o qual não posso deixar de chamar a atenção: o galopante aumento do número de abstenções, de votos em branco e nulos.

Basta ver que, tendo Cavaco Silva tido uma votação percentual superior à de 2006, passando de 50,59% para 52,94%, o seu número total de votos baixou mais de meio milhão! Quase apetece dizer que, a ser respeitada a vontade popular, quem devia ocupar o Palácio de Belém era a D. Abstenção já que, para além de ter tido muitos mais “votos” que o presidente reeleito, ficava muito mais barata ao país, numa época em que são exigidos tantos sacrifícios, sempre aos do costume. É que esta “senhora” bateu todos os recordes para eleições deste tipo (53,57%), sendo muito bem acompanhada pelos votos em branco (4,26%) e nulos (1,9%) que, esses sim, alcançaram níveis nunca antes igualados em nenhumas eleições em Portugal! Ora isto só pode revelar muito do desencanto, da descrença, da indiferença, até mesmo da revolta dos portugueses face à sua classe política, a todos os níveis. Não pode deixar de ter grande significado que mais de 190 mil eleitores se dessem ao trabalho de se deslocar à cabine de voto e tivessem, ao votar em branco, dito aos candidatos: muito obrigado mas não quero nenhum, estou farto de vocês todos! A estes teremos ainda de acrescentar, como me parece evidente, muitos dos 86 mil que também lá foram e preferiram inutilizar o boletim de voto a escolher alguém.

Será que os senhores políticos vão entender a mensagem ou vão continuar a viver num mundo imaginário, com as suas jogatanas de poder e de bastidores reveladoras, quantas vezes, de uma total falta de vergonha, de ética, de seriedade, de justiça e até de senso comum, beneficiando sempre os mesmos entre os quais se incluem, como não podia deixar de ser, eles próprios, os seus familiares, seguidores, bajuladores, amigos de “estimação” e acólitos? Esperemos que sim antes que seja demasiado tarde.

E em Vilar de Mouros? Penso que se pode dizer que os resultados acompanharam, no global, mas com algumas e interessantes nuances, a “onda nacional”. Vejamos:

- Num total de 769 eleitores votaram 408 sendo, portanto, a abstenção de 46,9%:

Votos expressos:

- Cavaco Silva…………..181……………44,4%

- Defensor Moura…..……32…….………7,8%

- Francisco Lopes…….…43……………..10,5%

- José Coelho..…..………19……………..4,7%

- Manuel Alegre…………71………….…17,4%

- Fernando Nobre…….…62…………..…15,2%

- Em branco…………….17………..……4,3%

- Nulos……….…….……6…………..….1,5%

Embora me pareça que os número falam por si e que cada um pode fazer as interpretações que quiser, julgo interessante destacar o seguinte:

1 – Em Vilar de Mouros a D. Abstenção, embora atingindo também um máximo histórico, não ganhou, tendo sido bem inferior à média nacional (46,9% para 53,57%);

2 – A vitória de Cavaco Silva, embora importante, ficou-se pelos 44,4% o que significa que, se este resultado tivesse acontecido a nível nacional, teria de haver uma segunda volta; de referir ainda que, no concelho de Caminha, só numa freguesia este candidato teve uma percentagem inferior, em Âncora, com 44,2%;

3 – Mesmo sem se contabilizarem os 19 votos de José Coelho, os restantes opositores ao candidato apoiado pela direita e que, parece-me evidente, se situam todos à sua esquerda, somam 208 votos, o que dá mais 27 votos do que os seus 181;

4 – O candidato apoiado pelo PS, BE e MRPP, Manuel Alegre, teve uma muito baixa votação, menor que em 2006 quando, sem qualquer apoio partidário, obteve 82 votos, mais 11 do que agora; é certo que a percentagem subiu (de 15,8% para 17,4%) mas isso tem muito a ver com o grande aumento da abstenção;

5 - A votação no candidato do PCP e dos Verdes, Francisco Lopes, (43 votos e 10,5%), sendo embora muito inferior à obtida por Jerónimo de Sousa em 2006 (104 votos e 20%) e mesmo à de António Abreu em 2001 (57 votos e 13%) tem de ser vista como muito positiva se atentarmos nos seguintes factores:

- tratar-se de um candidato quase desconhecido antes destas eleições;

- a CDU ter estado na Junta, nesses dois actos eleitorais anteriores, com uma excelente dinâmica de trabalho e consequente boa imagem pública, arrastando por simpatia muitos votos para os seus candidatos da altura; hoje a autarquia é dominada pelo PSD;

- ter, apesar de tudo, conseguido nesta freguesia uma votação percentual bem superior à que obteve a nível nacional (7,14%) e ser, de longe, a maior a nível concelhio, sendo as mais próximas a de Vilarelho (6,4%) e Azevedo (6%);

6 - Fernando Nobre foi uma surpresa (???) agradável (62 votos, 15,2%, ficando a escassos 9 votos de Manuel Alegre) que beneficiou, quanto a mim, de não estar conotado com qualquer partido político, apresentando-se ao eleitorado como um homem totalmente livre, com formação médica e uma vida inteira dedicada a causas de ordem humanitária, tendo inclusivamente sido fundador e presidente da AMI – Fundação Assistência Médica Internacional;

7 - Não será suspresa a razoável votação em Defensor Moura, dado tratar-se de um vianense que presidiu à Câmara Municipal da sede de distrito vários anos, tendo criado uma imagem de político sério, dinâmico, competente e perseverante;

8 – Interessante também e bastante reveladora do estado a que isto chegou foi a votação no candidato madeirense José Coelho, que mais não fez do que brincar e gozar com as eleições, com tudo e com todos. Ao menos teve a sua piada.

Mais alguns dados curiosos comparativamente a outras eleições presidenciais anteriores realizadas nesta freguesia:

- Em 2006 a abstenção (31%) foi bastante inferior à actual (46,9%), embora já não tanto à de 2001 (37,8%);

- Cavaco, embora tendo agora uma percentagem (44,4%) muito superior à de 2006 (28%) teve MENOS 29 votos que então;

- Os votos brancos e nulos dispararam de 2006 para 2011; os primeiros passando de 1 para 17 e os segundos de 3 para 6.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lírica Vilarmourense – livro de João Violante

João Sebastião Gonçalves, o “nosso” bem conhecido João Violante, foi rabiscando, ao longo das últimas três décadas, em folhas soltas, ao sabor da inspiração do momento, quase em segredo, sem dizer nada a ninguém, um vasto conjunto de textos, muitos dos quais poesias mas também algumas prosas. Dessa forma ia expressando o seu estado de alma, as suas alegrias, tristezas, amores e desamores, as suas memórias, êxitos e frustrações, quantas vezes a sua impotência e revolta perante injustiças que sempre combateu e, muito em especial, o carinho que sempre devotou à sua terra em geral e à Levada e Rio Coura em particular.

A ideia de editar um livro a partir desses textos surgiu apenas há cerca de um ano quando, em conversa comigo e com outros familiares e amigos, achou isso interessante, não com qualquer objectivo comercial, até porque o livro não se encontra à venda, mas como forma de deixar em legado, aos seus familiares, amigos, companheiros e camaradas, algo de si, dos seus sentimentos, vivências e recordações.


Pelos laços familiares que nos unem (meu tio pelo lado materno) e, sobretudo, pela profunda amizade cimentada em muitos anos de acção, lutas e cumplicidades em termos de intervenção cívica, política e associativa na freguesia, disponibilizei-me de imediato e com todo o gosto para colaborar com o autor na organização do livro. Contei também, para tal, com a importante ajuda de dois bons amigos com larga experiência neste domínio: a de Paulo Bento na definição do formato e arranjo da obra e a de Carlos da Torre na concepção gráfica da sua capa. Embora já o tenha feito pessoalmente e no prefácio do livro aqui deixo, uma vez mais e por ser de toda a justiça, o meu obrigado a ambos.
A obra já se encontra pronta há cerca de um mês, desde as vésperas do Natal, de forma a que pudesse ser, como foi, oferecida pelo autor a alguns dos seus amigos nessa quadra festiva. O facto de a presente mensagem só ser publicada agora, dia 20 de Janeiro, não é por acaso: é que o meu tio João Violante completa precisamente hoje 84 anos de vida! É assim, desta maneira algo diferente do habitual que eu, publicamente, lhe envio um grande abraço, lhe dou os parabéns pelo seu aniversário, pelo lindo livro que escreveu e lhe desejo muita saúde por longos e bons anos.

As fotos que publico são as mesmas que aparecem no livro, incluindo a capa. Cito pequenos extractos , quer do prefácio, por mim escrito, quer das poesias de João Violante.

                            Prefácio

“…nascido a 20 de Janeiro de 1927, viveu a quase totalidade da sua vida nesta freguesia de Vilar de Mouros…cedo começou a trabalhar na construção civil, tendo dado os primeiros passos na difícil arte de estucador ainda em Caminha e, aos dezoito anos, partido para Lisboa, onde prosseguiu essa aprendizagem e a continuação dos estudos, por mais quatro anos, na escola António Arroio. Com os conhecimentos adquiridos nesta escola e possuindo uma apetência e habilidade naturais tanto para o desenho como para a moldagem (há baixos-relevos seus no bar das Azenhas, em sua casa, na parede exterior da Junta de Freguesia e do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, tendo a foto de um deles sido aproveitada para a concepção da capa deste livro), poderia ter tido uma carreira de sucesso nessa área não fossem os sérios problemas de saúde que estiveram na origem do seu prematuro regresso à terra natal, aos vinte e cinco anos.                            

Enveredou então pela cerâmica, tendo trabalhado para António Pedro, em Moledo, na mesma oficina onde esteve o meu pai, Victor Barrocas e mais tarde na fábrica de louça da Meadela. Também esta actividade foi de pouca dura. Abandonou-a, por conselho médico, em 1960, tendo-se virado para o pequeno comércio, por conta própria, profissão que exerceu até se reformar. Estes e outros aspectos da sua vida encontram-se bem documentados, com muitos e interessantes pormenores, em “Cadernos do Património Vilarmourense II”, - Dos caiadores aos estucadores e maquetistas vilarmourenses - do GEPPAV (pág. 71 a 75).

Homem de convicções, dinâmico, corajoso, de grande firmeza de carácter, muito sensível às desigualdades e injustiças sociais, foi com enorme entusiasmo que assistiu à queda do regime fascista em 1974, tornando-se um fervoroso apoiante, desde a primeira hora, do Partido Comunista Português…desempenhou um papel muito interventivo na vida cívica, associativa e política vilarmourense, também antes mas sobretudo depois do 25 de Abril, tendo exercido, de entre outras, importantes funções na Comissão de Moradores, na direcção do C.I.R.V., na Cooperativa Agrícola Vilarmourense e no Conselho Directivo de Baldios. Em termos estritamente políticos integrou a Assembleia de Freguesia em dois mandatos, tendo sido, em ambos, meu companheiro de bancada e foi tesoureiro da Junta de 1989 a 1993…”

               Excertos das suas Poesias



                         Liberdade

                         Gostaria de contar
                         O que a minha vida foi
                         E em crónica narrar,
                         O que é belo e o que me dói;

                         Mantive, desde criança,
                         Sempre no pensamento,
                         Com muita força e esperança
                         A todo e qualquer momento,

                         O sonho de um dia vir
                         Ter direito a falar
                         Sem medo de alguém ouvir…
                         E correr a denunciar!

                         Levou tempo mas chegou
                         Para alegria de um povo,
                         A bomba que rebentou
                         Com um podre Estado Novo!

                         Festejos, mais do que mil,
                         No campo e na cidade,
                         A vinte e cinco de Abril…
                         Dia da Liberdade!


                         O Chico da canoa

                         Está a ficar velho e cansado,
                         Camarada com centelha…
                         Seu hotel assinalado
                         Com a bandeira vermelha!

                          É o Chico da Canoa,
                          Com seu olhar vigilante,
                          Que nos espera em Lisboa
                          Na chegada p’ró Avante!

                      Nas cores, ninguém se iluda…
                          Ela está colocada
                          No Caramão da Ajuda,
                          Na casa do camarada.

                          Essa bandeira vermelha
                          Pendurada no frontal
                          Pela cor se assemelha
                         À Bandeira Nacional!

                          P’ró ano, camarada Chico,
                          Cá outra vez estaremos,
                          Pois eu calado não fico…
                          Sempre juntos venceremos.

                          Quando formos a primeira
                          Força a nível nacional,
                          Estará a nossa bandeira
                          Juntinho à de Portugal!

                          A aldeia mais linda

                          A minha terra é linda,
                          Mesmo sendo maltratada;
                          Tanta maldade não finda
                          Esta beleza abençoada!

                          Como ela não há igual
                          Desde o Sul até ao Minho;
                          Rainha de Portugal
                          Mora aqui, neste cantinho…

                          A causa disso é o rio,
                          Suas margens e encostas,
                          Que põem ao desafio
                          Do mundo, o que mais gostas!

                          Um ar puro, natural,
                          Dá vida a quem te atravessa
                          Desde o largo do Casal
                          Ao areínho da Condessa.

                          Linda, formosa, nasceste,
                          Mais do que as folhas de lis;
                          Foi por isso que fizeste
                          A nossa gente feliz!

                          Cantinho belo

                          Todo o povo aqui bem diz
                          Deste cantinho tão belo;
                          Como me sinto feliz
                          Ao ouvir gente dizê-lo!

                          Não é pelo seu tamanho,
                          É pela sua candura…
                          Também pelo seu bom banho
                          E pela sua frescura!

                          Quem cá vem jamais se perde,
                          É tudo bom na levada:
                          É bela a paisagem verde,
                          Lindo o verde da ramada!

                         A clareira que um dia
                         Se abriu entre a folhagem,
                         Ninguém acreditaria
                         Quão bela era essa paisagem;

                         Paisagem em que a beleza
                         É sempre admirável…
                         Só quem vê tem a certeza
                         Que nada há comparável!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Assembleia de Freguesia "atípica"

Teve lugar no dia 22 de Dezembro, pelas 21H00, a Assembleia de Freguesia cujo principal ponto da ordem de trabalhos era a apreciação e votação do Orçamento e o Plano de Actividades para 2011 (ou devia ser).

Foi uma assembleia algo “atípica” dominada por questões menores, picardias, casmurrices, perdas de tempo com tudo e mais alguma coisa, não sei se inocente ou intencionalmente.

Começou logo, como vem sendo habitual, com o Sr. Presidente da Assembleia a ler, na íntegra, o edital da convocatória. Pergunto: para quê se é um documento publicado há vários dias e todos os delegados o receberam antecipadamente? Mas isso foi o de menos.

No ponto “antes da ordem do dia” foram postas à Sra Presidente da Junta, pelos delegados eleitos, as seguintes questões:

- João Arieira (CDU)

- FESTIVAL - em que ponto se encontra o processo relativo ao Festival de Música, qual o papel da junta e qual o significado das palavras da Sra Presidente da Câmara quando afirmou, na última Assembleia Municipal, que o Festival era um negócio;

- PEIXES MORTOS - se já se sabe o resultado da análise aos peixes que apareceram mortos no último Verão, dado não ter havido mais nenhuma informação sobre o assunto;

- Sónia Torres (PS)

- SINALÉTICA - quando vai ser implementada a sinalética que já foi objecto de discussão e aprovação duas assembleias atrás;

- SEGURANÇA NA ESCOLA - se já foi feito algo até ao momento, o que se pensa fazer em termos de segurança para as crianças da EB1 e se há avanços na questão do alargamento da Estrada de Marinhas com vista à construção de um passeio entre a escola e o C.R.I.V.;

Amélia Guerreiro (CDU)

- EN 301/ESTRADA DA CAVADA - tendo protestado, e bem, na última Assembleia Municipal, quanto ao mau estado da EN 301, entre Vilar de Mouros e Caminha, por que razão não fez o mesmo em relação às obras da Estrada da Cavada, que ainda nem concluídas estão e já apresentam graves deficiências de construção;

- COBRANÇA DE TAXAS - qual a razão pela qual não estão a ser taxados todos os atestados passados, no valor de € 2,5 conforme Regulamento de Taxas aprovado, já que foi informada de que apenas é cobrado um atestado por ano a cada cidadão;

- SENHAS DE PRESENÇA - para quando o pagamento das senhas de presença a que os eleitos têm direito por participarem nas assembleias, uma vez que se passou mais de um ano e nada foi pago;

- CAMINHOS VICINAIS – alertou para a necessidade de também ser feita limpeza nos caminhos vicinais e não apenas nos de maior visibilidade;

- PROTECÇÃO DE CARVALHOS NOVOS – chamou a atenção para a importância de se protegerem dezenas ou centenas de carvalhos ainda muito novos, na Chousa, e que se encontram abafados por vegetação selvagem.

João Barreiros (eleito na lista do PS)

BALDIOS - leu um texto referindo a realização de uma assembleia de compartes dos baldios da freguesia, no dia 28 de Novembro, por iniciativa da Junta, onde foram eleitos os novos corpos gerentes. Informou que não estiveram presentes os membros da assembleia cessante, eleitos em Março de 1995 e que, disse, estiveram em exercício de funções até 28 de Novembro de 2010: João Domingos de Castro Freitas, Maria Amélia Gonçalves Guerreiro, José dos Santos Pereira e Vitor António Gonçalves Barrocas. Também não esteve nenhum representante da Junta na qual foram delegadas, nessa tal assembleia, competências para a administração dos baldios: Carlos Alberto da Cunha Alves, Basílio Alexandre Gonçalves Barrocas e Horácio José Morada dos Santos (muito revelador, digo eu, a citação completa de todos estes nomes…). Por tal motivo, acrescentou o sr. secretário, foi obrigado a “pesquisar” tudo o que consta nas actas das assembleias de compartes, onde não é feita qualquer referência à contabilidade dos baldios, aos direitos e deveres dos poderes delegados bem como aos nomes das pessoas com competências delegadas para efectuar operações financeiras e movimentos de contas bancárias. Disse ainda que em acta de Junho (ou Julho, não percebi bem) de 1995 a Assembleia de Compartes votou favoravelmente uma proposta da Junta para alienar 19 parcelas a 19 pessoas, destinadas a construção social, onde acabaram (segundo ele) por ser construídas moradias.

Informou também que a Junta constituída pelos mesmos elementos que já referi mas cujos nomes o sr. secretário da mesa fez questão de voltar a dizer, se apropriou de 9 parcelas de terrenos baldios, por uso capião, que depois vendeu a particulares: 2 em 1995, 2 em 1997, 3 em 1998, uma em 1999 e outra em 2001.

Fez alusão também ao recebimento de verbas, pela Junta, de exploração florestal, da venda de madeira, dos parques de estacionamento em terrenos baldios para estacionamento durante os festivais e da expropriação de terrenos para a passagem da A28.

A concluir fez uma série de perguntas à Sra Presidente da Junta, tais como: se é possível saber que parcelas de baldios foram vendidas para além das 19 já mencionadas; se tem conhecimento da totalidade da receita proveniente das expropriações, de quanto foi recebido e de quanto falta receber; se vai apresentar na próxima reunião da Assembleia de Compartes toda a documentação que comprove o saldo existente, com discriminação das receitas e justificação das despesas feitas pelos anteriores executivos; se foi analisada a validade de um documento sobre a transferência de um terreno público para um privado, situado no Caminho dos Vaus, à beira do edifício da Junta.

Não sei qual o cargo que o sr. secretário da assembleia ocupa nos recém constituídos corpos gerentes dos compartes dos baldios de Vilar de Mouros, nem quem são as restantes pessoas que os integram, porque nem ele o disse nem o vi divulgado em qualquer documento público, como me parece normal que tivesse sido feito, mas sei que levou cerca de oito minutos a ler o texto em causa e, pelo teor do mesmo, está-se mesmo a ver que a intenção é muito mais de criar problemas do que resolvê-los. Vamos aguardar para ver mas cheira-me a gato escondido com o rabo de fora. Destes “socialistas” já nada me surpreende… e a vida está difícil.

A Sra Presidente da Junta prestou os seguintes esclarecimentos às questões colocadas:

FESTIVAL DE MÚSICA - informou que algumas empresas manifestaram interesse em organizá-lo, tendo sido feitas várias reuniões em que estiveram representadas Câmara e Junta, foram recebidas propostas, apresentadas algumas sugestões de alteração mas, até à data, não há nada de concreto nem nada definido; sabe que a Câmara tem uma verba disponível, de 100 mil euros, para o Festival e outra para obras no palco do Casal no valor de 50 mil euros; quanto à afirmação da Sra Presidente da Câmara proferida na última Ass. Municipal, qualificando o Festival como um negócio, acha que tal se deveu ao facto de as empresas, pelo menos até agora, terem apresentado propostas que não falam em valores e parece estarem à espera que seja o município a assumir, pelo menos em grande parte, os custos do festival, com o que a Câmara não pode concordar; pensa que no final de Janeiro deverá ter dados suficientes que permitam decidir se vai haver ou não festival em 2011; nas negociações com as empresas tem havido o cuidado de respeitar as cláusulas constantes do protocolo celebrado em 2009 entre Câmara, Junta e organização.

ANÁLISES AOS PEIXES - não chegaram a ser feitas, porque, segundo informações que lhe chegaram, parece ter havido falhas na recolha das amostras ou no transporte para o laboratório;

CAIXA MULTIBANCO - quando foi retirada a caixa informaram-na de que a mesma voltaria logo que reparada. Está consciente da sua importância e fará os possíveis para que ela volte mas nada pode garantir, nem quanto a prazos nem quanto à sua reinstalação.

SINALÉTICA - está a ser elaborada pela Câmara uma nova proposta de alteração muito mais ampla do que aquela que já foi apresentada e discutida anteriormente, envolvendo várias artérias da localidade; quando estiver pronta será apresentada para aprovação em Junta e Assembleia de Freguesia e depois em Assembleia Municipal.

SEGURANÇA NA EB 1 - foi apresentada à Câmara a preocupação não só da Junta mas também das professoras e pais em relação à segurança das crianças; sabe que o município tem orçamentada uma verba de 30 mil euros para obras no Centro Escolar e espera que seja também para gastar em sinalética e segurança; quanto à construção do passeio entre a escola e o Centro decorrem negociações com os proprietários para cedência de terrenos;

EN 301 – o facto de ter falado em Ass. Municipal na EN 301 e não na Estrada da Cavada tem a ver com a importância de envolver várias freguesias na pressão junta da Estradas de Portugal; a Câmara está bem dentro dos problemas da Estrada da Cavada e as obras ainda não foram concluídas, razão pela qual não viu necessidade de abordar a questão;

TAXAS – há pessoas que precisam de mais que um atestado de vida por ano para enviar para o estrangeiro para recebimento das pensões e só nesses casos é que se cobra apenas a primeira vez;

CAMINHOS VICINAIS - reconheceu ter sido um ano difícil, mas afirmou que alguns caminhos vicinais também vêm sendo limpos conforme as possibilidades.

BALDIOS - respondendo às questões colocadas sobre os baldios disse que este executivo herdou o processo da Junta anterior mas preferiu entregar  a responsabilidade da sua gestão directamente aos compartes; não sabe se foram feitos concursos públicos para a alienação de baldios mas, pelo que conseguiu averiguar e pelas informações de pessoas que vieram à Junta para regularizar a situação dos terrenos, embora ignorando a forma como foi feita a venda, pensa que não houve concursos públicos mas sim tiradas sortes; quanto à lista de terrenos baldios a Junta possui uma onde constam o artigo, local e valor por que foi vendido; sobre as expropriações no âmbito da A 28 afirmou que teriam sido recebidos cerca de 43 ou 45 mil euros, em princípio 50% do total mas, pelo facto de terem surgido particulares a reivindicarem a posse de algumas parcelas, o processo encravou; sobre o alargamento do Caminho dos Vaus confirmou a existência de um protocolo entre as partes mas o sr secretário da mesa insistiu em saber se foi analisada a validade desse documento, se o mesmo foi aprovado pela Junta e pela Assembleia, se foi feito edital e concurso público, tendo ainda afirmado que se a Junta vai analisar o processo aguarda, caso contrário ele próprio, sendo autorizado, estudará o caso e dará o passo em frente uma vez que é para isso que é delegado da Junta de Freguesia (não percebi…).

Seguiu-se a leitura das actas das duas sessões anteriores, pelo sr secretário da mesa que, como é público rompeu, por seu livre   arbítrio, com uma prática instituída há quatro anos de enviar cópia das actas a aprovar juntamente com a restante documentação distribuída com antecedência por todos os delegados. Durante mais de quarenta minutos (é obra!...) as pessoas lá aguentaram a pastilha de ter de ouvir o senhor, já que eu ausentei-me da sala porque já não tenho idade nem pachorra para aturar as casmurrices de um qualquer secretário. Ainda reentrei no final da leitura, assisti a mais umas trocas de galhardetes entre o grande orador (leitor) da noite e a “oposição” mas eram quase onze da noite, estava cheio de frio, ainda não se tinha entrado no ponto principal da ordem de trabalhos e… fui para casa! O essencial, ou seja, a discussão e votação do Orçamento e Plano de Actividades, soube-o depois, durou cerca de 5 ou 10 minutos tendo, como é natural, sido aprovado. Claro, as pessoas já deviam estar a dormir!

Sinceramente, eu, que venho acompanhando há mais de trinta anos a coisa pública da freguesia, na Junta e na oposição e, em função disso, lidei com muitas dezenas de companheiros e adversários, sempre na busca de consensos e no respeito por todos, sem nunca ter tido necessidade de entrar em guerrilhas espúrias, sempre pensei ser inimaginável descer-se tão baixo, com tanta mesquinhez, tanto ódio mal disfarçado, tanta sacanice, que fazem com que se perca mais de uma hora a ler actas e a divulgar resultados de "pesquisas" resultantes de um vasculhar em baús com mais de 15 anos de existência onde, pretensamente, são encontrados erros "gravíssimos" que, pelos vistos, estiveram na origem deste grande crime: permitir que várias famílias com grandes dificuldades financeiras viessem a ter o direito, como vieram, a poder viver numa habitação com alguma dignidade, como é o caso das casas sociais da Aveleira. Se naquela época pessoas como o sr secretário estivessem à frente dos destinos da freguesia, parece não haver dúvidas: não havia nada para ninguém!  Já agora…por que razão as “pesquisas” terão parado em 1995? Para trás não há mais nada? Talvez não interesse, não é?


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Estrada da Cavada – nova cheia põe a nu mais deficiências

Na noite de 5 para 6 de Janeiro e durante este último dia choveu com bastante intensidade em toda esta região. Como resultado aconteceu nova cheia do Rio Coura e Vilar de Mouros voltou a ficar cortada ao meio dada a impossibilidade de transitar na Estrada da Ponte. Para agravar o problema aconteceu também o corte, durante uma boa parte do dia, da EN 301 na zona de Argela, impedindo a passagem para Caminha. Será bom recordar que o impedimento desta estrada em alturas de fortes chuvadas vem acontecendo com muito maior frequência desde que foi construída a A 28. Porquê?
Porque a auto-estrada, impedindo a passagem de uma enorme quantidade de pequenas linhas de água obrigou à formação de grandes enxurradas que, não tendo escoamento natural no seu percurso até ao rio, levam de assalto tudo quanto encontram pela frente e passam por onde não deviam passar, tal como, no caso concreto, por cima da EN 301.

Mas nem tudo é mau. Esta nova cheia teve uma virtude: pôs a nu mais uma deficiência de construção das ainda inacabadas obras de beneficiação da Estrada Municipal da Cavada, possibilitando que, se houver vontade para isso, venha ainda a ser corrigida. 
No sítio de Riadouro, onde o piso foi alteado precisamente para impedir o corte da estrada em épocas de chuvas fortes, aconteceu aquilo que muitos previam menos, pelos vistos, quem mandou executar a obra e elaborou o projecto: a água já cobriu a estrada, não impedindo ainda mas dificultando a passagem de veículos e, note-se, sendo embora uma enchente com alguma dimensão nem sequer foi nada de extraordinário, tendo havido outras bem maiores. As fotos que junto, de Riadouro e da Estrada da Ponte, são bem esclarecedoras.

Tal como eu escrevi em mensagem de 14 de Novembro - http://vilardemouros-sempre.blogspot.com/2010/11/estrada-da-cavada.html - neste mesmo blogue, esta importante via de comunicação parece ter feitiço…

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

TEATRO DE NATAL NO CIRV

Tal como anunciado, foi apresentada ao público, em estreia, no dia 26 de Dezembro, domingo à tarde, no Centro de Instrução e Recreio local, a peça “Bendita Queimadela”, da autoria do vilarmourense Avelino Porto (1881/1973).

http://geppav.blogspot.com/2010_11_01_archive.html

Dado tratar-se de um ano em que se celebra o 75º aniversário da colectividade e sendo o teatro, desde a sua fundação, a actividade mais consequente e relevante durante todo este tempo, é natural que tivesse sido desenvolvido um maior esforço para que o espectáculo a apresentar no Natal, conforme tradição, fosse um êxito (ver mensagem deste blogue de 17 de Dezembro).

Assim se fez e valeu, sem dúvida, a pena!
Com a passagem da habitual estreia no dia 25 à noite para o dia seguinte, domingo, à tarde, possibilitando a presença de pessoas mais idosas que de outra maneira não compareceriam, com uma boa divulgação, não só em Vilar de Mouros como nas freguesias vizinhas e, talvez também, pelo facto de as entradas serem livres, aconteceu aquilo que já não se via há muito e é tão bonito: aquele imenso salão, conforme se pode ver pelas fotos (clicar para aumentar), praticamente cheio de gente!
Mas se o público foi em grande número também me parece que ninguém deu o seu tempo por perdido. A qualidade do espectáculo não poderia ter sido melhor se considerarmos a juventude, a pouca experiência de grande parte dos intervenientes e a escassez de tempo de ensaios. Estiveram todos maravilhosos e daqui lhes deixo as minhas sinceras felicitações mas parece-me justo e espero que ninguém me leve a mal se realçar o trabalho da Augusta Caldas (Guga), uma jovem que eu nem conhecia pessoalmente e que, apesar de muito nova (17 anos?) parece uma profissional!

A terminar, não posso deixar de apontar o dedo ao grande “culpado”, quanto a mim, deste enorme sucesso: o ensaiador / encenador Fernando Borlido, um bom amigo e um “velho” colaborador desta associação que, com todo o seu saber, experiência e entusiasmo conseguiu contagiar o grupo e apresentar um espectáculo inovador como há muito não se via em Vilar de Mouros, pela sua dinâmica, pelos belos cenários, pela mais valia que lhe acrescentaram os efeitos de luz e som, tudo da sua responsabilidade.


Junto uma síntese do que consegui gravar em vídeo, com todas as limitações inerentes ao facto de também eu ter estado envolvido na acção, ao comando da componente sonora.

É caso para dizer: CIRV e quantos colaboraram neste maravilhoso evento, não esquecendo o público, estão de parabéns.
Um forte abraço para todos e desejos de um óptimo 2011.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Carro no fundo do rio

Tive conhecimento, por informações de dois tripulantes de um veículo pesado que haviam acabado de passar na Estrada Nacional 301, no sentido Covas – Vilar de Mouros, ao fim da manhã de hoje, dia 22 de Dezembro, que se encontrava um automóvel, meio desfeito, no leito do Rio Coura, um pouco abaixo da barragem da EDP de Covas e que já haviam dado conhecimento do facto às autoridades.

Tendo-me dirigido ao local, onde cheguei por volta das 12H40, já lá estavam uma brigada da GNR e o Presidente da Junta de Freguesia de Covas, encontrando-se dois agentes a inspeccionarem, tanto quanto possível, o carro, encravado entre as rochas e parcialmente submerso na água do rio, no fundo de uma ravina com, suponho, cerca de 10 a 15 metros de profundidade (fotos 1 e 3, sem grande qualidade dada a distância e espessura da ramagem; clicar para aumentar).

Segundo informações, não foi encontrado ninguém no interior nem nas proximidades do veículo, bem como qualquer documento de identificação.

Na foto 2, tirada uns 70 metros a montante do local onde se encontram os restos do automóvel, pode ver-se como as giestas e outra vegetação se encontram arrancadas ou vergadas, o que faz pressupor ter sido por aí que se encaminhou para o rio, atirado ou não propositadamente. O facto de o veículo se encontrar uns bons metros abaixo poderá ter a ver com a fortíssima correnteza das águas em épocas de chuvas intensas, como ainda aconteceu há uns dias atrás, o que, provavelmente, o terá arrastado até ficar bem preso entre as rochas que constituem o leito do rio nesse local.
 Assim, parecendo evidente que o automóvel já aí está há algum tempo e tendo em conta o assalto aos multibancos de Covas e de Vilar de Mouros em datas muito próximas (em relação a este último ver minha mensagem de 3 de Dezembro), parece-me legítimo poder relacionar estes factos e admitir como bem provável que se trate de uma viatura furtada, usada para os assaltos e destruída para não deixar vestígios.

A foto 4 ajuda a identificar melhor o local, situado a cerca de 2 300 metros acima da ponte do Rego de S. João (sentido V. de Mouros – Covas) e, por coincidência, bem próximo de uma lápide colocada por familiares em memória de um jovem falecido num horrível acidente de automóvel aí ocorrido.

Já agora aproveito para relembrar a urgência e a importância da realização de obras na Estrada Nacional 301, de Caminha até Covas mas com maior prioridade no troço compreendido entre esta localidade e Vilar de Mouros, dada a gritante falta de segurança e a inadmissível ausência de barreiras de protecção em tão perigoso troço.
Será preciso haver mais desgraças? Agora, com o que nos levam dos bolsos ao passar nas SCUT já nem a desculpa do famigerado buraco financeiro da "Estradas de Portugal" colhe!