VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

sábado, 20 de Setembro de 2014

(Caldo em) TORNADO EM VILAR DE MOUROS

Palco construído para o Festival de 1982
Parece não restarem dúvidas: um tornado, ainda que de pequenas dimensões (nem quero imaginar o que aconteceria se tivessem sido grandes…) atingiu Vilar de Mouros na noite de terça para quarta feira passada, 16 de Setembro de 2014.

Depois de mais um dia com períodos de chuva intensa e algum vento, por volta das 23H45, acabava eu de arrumar o carro debaixo do barraco onde habitualmente fica quando, estando ainda no seu interior e com os faróis ligados, tudo aconteceu.

Foi uma questão de meia dúzia de segundos, com estrondos enormes, uns objetos a cair, outros a levantar voo, como se de pássaros se tratasse e, disso nunca mais me vou esquecer, o meu gato amarelo, apenas com uns meses de idade, a fugir, espavorido…precisamente em direção contrária ao vento fortíssimo que soprava, de sul para norte. Como conseguiu, nem faço ideia, mas sei que escapou são e salvo, voltando a casa só muitas horas depois…com a farda suja mas sem rasgões. 
Estás preparado para a vida, bichaneco…


Entretanto, saindo do carro e olhando para cima, para a cobertura do barraco, verifico que existia lá um buraco: algumas telhas haviam-se deslocado e uma delas estava em cacos ali mesmo, no chão, a um metro de distância! Com tanta confusão nem a ouvira cair e…não acertou em mim nem no carro por um triz! Sou um homem com sorte.

Aos poucos fui-me apercebendo do que realmente se passara. O telhado de minha casa tinha várias telhas partidas e muitas fora do sítio. O cume foi todo à vida…A chuva, que não parava de cair, entrava em vários pontos para o sótão, ameaçando invadir o resto da habitação.

Remediei o que pude, enviei uma mensagem, pela 01H00, ao Rui Adão (operário da construção civil venadense que, por coincidência, andava a fazer uns trabalhos para mim desde há uns dias), explicando a situação, pedindo-lhe que passasse por lá na manhã do dia seguinte o mais cedo possível e…deitei-me. Só não rezei porque a minha fé, que nunca foi famosa, esfarraparam-na toda há muito…


Largo de Chelo
Ora, não é que o Rui, passado cerca de meia hora, estava a bater-me à porta, pronto para ajudar?! Foi para cima do telhado, de noite, a chover e a ventar, ajeitou o que pôde e o certo é que mais água não passou lá para dentro. Rui, tu não cumpriste o teu dever, tu foste muito além daquilo que te competia. Por isso aqui te deixo o meu obrigado e reconhecimento públicos por um gesto exemplar que, cada vez mais, se usa menos!

Voltando ao (caldo em) tornado, não me interessa repetir o muito que já foi dito e registado fotograficamente sobre o assunto, com maior ou menor rigor, pelas mais diversas entidades, pessoas e meios. Por me parecer interessante, deixo aqui um link para o trabalho que o caminha2000 já publicou sobre o assunto. 

Largo do Casal - trabalhos de recuperação
Pela minha parte limitar-me-ei a acrescentar algumas considerações, um tanto a sério, um tanto a brincar, sobre um assunto que não é para brincadeiras… e a publicar umas tantas fotos que acrescentem algo de novo (pelo menos é essa a intenção) ao muito que já foi publicado. 

Não me lembro e julgo que ninguém se lembra de alguma outra vez ter acontecido uma coisa semelhante em Vilar de Mouros. Segundo tudo indica, este fenómeno (coluna de vento ciclónico em área restrita... mas de grande poder destruidor) muito  frequente nas costas americanas, terá acontecido pela primeira vez na nossa freguesia. Claro que tinha logo de me apanhar a mim no seu caminho…de outro modo a piada não seria a mesma!

Largo do Casal, com poste derrubado
Apesar do aparecimento de alguns danos pontuais noutros sítios,  é interessante reparar onde o impacto do tornado foi mais devastador: precisamente em Chelo e no Casal. Isto, para muitas pessoas, poderá não dizer nada, mas para quem está dentro do assunto, bem…bem… (desde já aviso que não acredito em bruxas, pero que las ay…). É que Chelo foi, desde sempre, o local de residência do saudoso  Dr. António Barge, e o Casal o largo onde se fizeram e se continuam (às vezes…) a fazer os famosos


Festivais de Música que ele, com tanto entusiasmo e coragem, criou. Por outro lado, a sede do grupo musical (em vias de extinção, é verdade…), Lés a Lés, de que tanto eu como o meu irmão sempre fizemos parte, fica também em Chelo, onde residimos. Tudo isto faz-me pensar se não terá havido, no reino da meteorologia, algum golpe de estado extremista, com a deposição do velhinho S. Pedro e a tomada do poder por um qualquer Belzebu que não suporta a música... É que até o teclado que eu usava no grupo e que se encontrava num dos barracões semi destruídos  foi atingido e danificado por estilhaços de pedras e outros detritos provocados pela
intempérie! 

A minha casa, a do meu irmão e a da minha irmã, todas contíguas, foram, bem como os respectivos quintais, cobertos, barracões, árvores e outros bens, as mais massacradas da freguesia. A maior parte das fotos que apresento são obtidas nessas três propriedades (todas as que aparecem sem legenda incorporadas neste texto e outras devidamente identificadas, no fim da mensagem) e parecem-me bem demonstrativas do que afirmo mas, acreditem ou não, a minha intenção ao publicá-las não visa despertar o sentimento de caridadezinha tão típica do português com vista, quem sabe, à realização de algum peditório, ou à sensibilização para a obtenção de um qualquer subsídio institucional. Nada disso...é minha única intenção acrescentar algo ainda pouco ou nada conhecido ao muito que já foi dito e publicado, no sentido de se ficar com uma visão mais abrangente de tudo quanto se passou e, esperemos, não volte a repetir-se... 


A concluir não posso deixar de registar a prontidão,  a rapidez, a eficácia e a boa articulação que transpareceram da ação de todos quantos intervieram, e muitos foram (proteção civil, câmara, junta, bombeiros, GNR e populares) na reposição possível da normalidade pós-tornado, com um pequeno reparo, até porque a situação já está, no essencial, ultrapassada: acho que devia ter sido dada um pouco mais de prioridade à desobstrução do Largo de Chelo, de forma a possibilitar, com mais celeridade, o acesso automóvel a três habitações existentes no local.

Outras fotos
Largo do Casal

















Largo de Chelo




Aqui já reaberto ao trânsito

Propriedades privadas 













segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

MAIS UM CARRO DE RODAS PARA O AR EM EXTRA-COURA


Estradas de Portugal, distraída...



As denominadas “curvas de extra-coura”, na Estrada Nacional 301, na entrada sul de Vilar de Mouros, bem próximo do nó de ligação à A 28, têm-se transformado, desde há largos anos a esta parte, num verdadeiro cemitério de automóveis. Felizmente e, para já, que se saiba, só de automóveis, porque é preciso muita sorte para que não tenha havido, ainda, a lamentar, a morte de ninguém, tantos têm sido os acidentes aí ocorridos. Desta vez foi no dia dez de agosto.
Com alguma chuva e piso escorregadio, um veículo ligeiro, vindo de Covas e seguindo em direção a Caminha, terá metido a roda direita dianteira na valeta do mesmo lado, fez um pião, despistou-se e caiu no rego de águas bravas aí existente, ficando na posição que as fotos documentam.

Quis o acaso que a condutora e única ocupante do veículo tivesse ficado ilesa e conseguisse sair pelos seus próprios meios. Ainda bem pois, nem quero imaginar o que poderia ter acontecido se, por exemplo, o carro se tivesse incendiado...Enfim, até parece que se está à espera de uma tragédia para que a EP – Estradas de Portugal, S.A., sociedade anónima de capitais públicos que superintende nesta matéria, se decida a gastar uns trocos (sim, uns trocos) para pôr cobro ou, pelo menos, melhorar uma situação que já não é admissível. 

Será que ainda não se apercebeu da perigosidade do local?
Bem, até é possível que uma boa parte dos acidentes não cheguem ao seu conhecimento, mas recordo que, há vários anos atrás, ainda eu estava, e continuei, na Junta de Freguesia (saí em 2009), foi enviada uma exposição àquela entidade, acompanhada de fotografias, alertando para a necessidade de uma intervenção urgente naquele local. A resposta, tanto quanto me lembro, foi no sentido de que estaria a ser elaborado um estudo mais abrangente de beneficiações em toda a 301, onde o pedido da junta
seria também tido em consideração. Mais ou menos isto. Ora, ao fim deste tempo todo apetece perguntar: o estudo ainda não está pronto, ou o pedido de Vilar de Mouros foi considerado sem interesse?!

Por favor…será que, ao menos, nem umas barreiras metálicas de proteção é possível colocar, em substituição do que resta de um muro cuja única “utilidade” é entupir, com as suas já escassas pedras, o rego de águas bravas, sempre que um automóvel decide dar um salto, mais ou menos artístico, mais ou menos acrobático…esperemos que nunca mortal?! 

Se não há dinheiro para as comprar…é só ir buscá-las onde já estão colocadas, bem perto e sem qualquer utilidade (na opinião de um leigo na matéria, como eu): junto à rotunda de acesso ao nó de ligação da A 28! Alguém é capaz de me explicar para que servem as proteções metálicas instaladas imediatamente antes e de-
pois da rotunda, do lado direito da via, quem vai no sentido Vilar de Mouros – Caminha?

As últimas fotos que junto retratam, de forma clara, o estado em que se encontra o “não-muro”…ou melhor, os “não-muros”, já que também houve, em tempos, um murete do lado de cima da estrada. Desse, agora (duas últimas fotos), nem resíduos…porquê? Porque tantos veículos foram parar ao buraco, levando tudo na frente, que nem uma pedra ficou para amostra! 

O que resta do muro 

A "proteção" que existe

Onde já houve um muro

Aqueduto quase bloqueado

domingo, 10 de Agosto de 2014

"O MUNDO A DANÇAR" - FOLKMONÇÃO


Praça Conselheiro Silva Torres, Caminha


Dia 6 de agosto, às 22H00, num terreiro repleto de público, Caminha acolheu destacados grupos de folclore de Itália, África do Sul, Peru e Rússia. Foi um espetáculo encantador, cheio de cor, música e movimento, inserido na iniciativa “O Mundo a Dançar”, no âmbito do 29 º FolkMonção e que contou com o apoio da Câmara Municipal de Caminha.
  
O Festival Internacional de Danças Folclóricas “FOLKMONÇÃO” é reconhecido pelo C. I. O. F. F. – Conselho Internacional das Organizações de Festivais de Folclore e Arte Popular desde Novembro de 2006, mas as suas origens remontam já a 1986 (daí tratar-se da 29ª edição consecutiva...é obra!...) então apenas com grupos

portugueses, passando a integrar, em 1987 e 1988, grupos espanhóis e alargando o seu âmbito, já a partir de 1989, a diversos países europeus e de outros continentes.

O sucesso crescente deste festival deve-se sobretudo ao elevado nível da sua organização e à grande qualidade dos grupos convidados, que têm de apresentar uma candidatura prévia e estão sujeitos ao rigoroso cumprimento de um vasto conjunto de exigências, como sejam o número máximo total de participantes, incluindo dançarinos, músicos (trabalhos com música gravada não

são permitidos), motoristas de autocarros e diretores. Têm ainda de apresentar o historial do grupo, um registo gravado do espetáculo a apresentar, cartazes, fotografias, recortes de imprensa e folhetos.

Com a sede do festival em Monção, como o próprio nome indica, é natural que seja nessa vila que aconteçam o maior número de espetáculos. No entanto foram realizados, em 2014,   vários outros espetáculos descentralizados, em muitas localidades do alto-minho, como aquele que é documentado pelas imagens que publico, em Caminha, mas também em Arcos de Valdevez, Ponte de Lima, Vila Nova de Cerveira, Melgaço, Ponte da Barca, Barbeita (Monção) e Valença.


Para além dos grupos de países a que já fiz referência e a cujas atuações tive o privilégio de poder assistir (Itália, África do Sul, Peru e Rússia) fizeram-se representar ainda, este ano: a Argentina, a Rep. Baskiria, a Coreia, o Equador e, naturalmente, Portugal.
A qualidade das fotos e do vídeo é a possível, dadas as (más) condições em que foram obtidos mas, mesmo assim, acho que vale a pena ver.


















Aspeto do terreiro