VILAR DE MOUROS SEMPRE

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domingo, 10 de outubro de 2010

100º Aniversário da República

Em Vilar de Mouros

Na sequência de proposta do GEPPAV apresentada na Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros do dia 1 de Outubro e por mim já referida em mensagem anterior, a comemoração do centésimo aniversário da implantação da República revestiu-se, nesta localidade, de uma singular importância, sobretudo em resultado do conhecimento a que conduziu um estudo / pesquisa efectuado pelo (já) vilarmourense professor e historiador Paulo Bento, estudo esse que será dado a conhecer com mais pormenor em livro a publicar brevemente, cujo lançamento está previsto para os próximos dias 16 e 17 de Outubro,  às 17 horas, respectivamente em Vila Praia de Âncora (Centro Social e Cultural) e em Caminha (Salão Nobre dos Bombeiros) e que documenta a importância de alguns vilarmourenses no processo que conduziu à implantação da República.
Estando presentes cerca de três dezenas de pessoas, número muito significativo atendendo à crescente desmobilização da sociedade para este tipo de actos, preocupada que está, e com razão, por outras  questões que a afectam no seu dia a dia, abriu a cerimónia a sra Presidente da Junta, Sónia Fernandes, começando por hastear a bandeira e proferindo, de seguida, umas breves palavras alusivas ao acto festivo e comemorativo do 100º aniversário da implantação da República. Referiu a grande revolução que aconteceu há cem anos, com o fim da monarquia e o início de um regime que instituiu a igualdade dos cidadãos perante a lei e a subordinação do poder executivo ao legislativo,  passando o  povo a ter a possibilidade de eleger livremente os seus representantes para a elaboração de uma constituição. Realçou o reforço do papel da mulher na sociedade a partir de então e disse pretender-se também, com esta cerimónia, homenagear todos os republicanos vilarmourenses que tiveram um importante desempenho na implantação da República.

Em representação das forças partidárias que integram a Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros intervieram em seguida Sónia Torres, pelo PS e Amélia Guerreiro, pela CDU.

Sónia Torres começou por dizer que era com o maior orgulho e satisfação que ali se encontrava, em representação e a pedido do Partido Socialista, destacando a grande similitude entre a ideologia e os valores deste partido e os grandes ideais que estiveram na base do nascimento da República, como sejam a laicidade (separação entre o poder civil e o religioso), a justiça e a igualdade de direitos de todo e qualquer cidadão perante a lei, independentemente da raça, religião, sexo ou ideologia.

Amélia Guerreiro realçou a luta que o Partido Comunista encetou, mesmo na clandestinidade, na defesa de importantes valores republicanos, como a liberdade de expressão, o direito à educação e saúde públicas para todos, a igualdade de classes, a defesa dos direitos dos trabalhadores e dos mais desprotegidos. Disse ainda ter sido no respeito por estes princípios e na sua aplicação na vivência do dia a dia que o seu partido, integrado na CDU e estando à frente dos destinos da freguesia de Vilar de Mouros durante 5 mandatos consecutivos mereceu e justificou, dentro das competências e atribuições de uma junta de freguesia, o apoio esmagador da população.

Ambas terminaram por lamentar que, na actualidade, muitos dos “republicanos” que dizem, nos discursos e, sobretudo, nas campanhas eleitorais, defender estes tão belos ideais, mais não façam, na prática, do que ignorá-los ou espezinhá-los, tendo Amélia Guerreiro afirmado mesmo que alguns se "disfarçam de republicanos para conseguirem reinar".   Deixaram no ar, porém, a esperança de que, no futuro e sobretudo através duma educação para a cidadania, venha a ser possível um progressivo melhoramento duma sociedade que se quer mais justa, solidária a participativa.

Tal como estava previsto, esta importante cerimónia concluiu com a intervenção do historiador Paulo Bento que, após cumprimentar os presentes e agradecer-lhes a sua presença, começou por afirmar que o motivo que o levou a estar ali não tem a ver com o presente mas antes com o passado político de Vilar de Mouros. Chamando a atenção para o facto de poder parecer suspeito, por se tratar da freguesia de todos nós (uma vez que ele próprio, natural de Tondela, já se considera um vilarmourense por adopção) justificou que a importância que atribui
ao acto presente não é um qualquer motivo menor, mas sim uma razão muito especial e que se fundamenta na grande relevância que esta pequena localidade rural teve a nível concelhio e mesmo distrital no processo da implantação da República no nosso país.
A título de exemplo indicou que, em todo o distrito de Viana do Castelo havia, antes do 5 de Outubro de 1910, dois únicos centros republicanos: um em Afife e o outro precisamente na nossa freguesia, tendo o Centro Republicano de Vilar de Mouros sido fundado em Janeiro de 1906. A explicação poderá ser encontrada, segundo disse, na importância determinante que a emigração para Lisboa, nas últimas décadas do século XIX, de alguns estucadores vilarmourenses, teve no despertar de consciências, dado terem contactado de perto, na capital, com meios operários progressivos, republicanos e mesmo socialistas.
Assim, não seria por acaso que tivessem sido estucadores alguns dos principais obreiros desse Centro Republicano, tais como Manuel Joaquim Constantino (foto acima), Abílio António Trovisco
e António Serafim Constantino. Como ainda não terá acontecido também por acaso que fosse em Afife (juntamente com Vilar de Mouros o grande viveiro de estucadores emigrantes na capital) que tivesse sido criado o outro centro republicano do distrito.
Em meu nome pessoal e, estou certo, em nome de todos os verdadeiros republicanos e democratas vilarmourenses, quero deixar aqui bem expressas as minhas felicitações a todos os presentes, ao GEPPAV e, muito em especial, ao Prof. Paulo Bento.



Em Caminha

Também em Caminha, sob os arcos do edifício antigo da Câmara Municipal, se celebrou a 100º aniversário do nascimento da República.

Desta cerimónia, a que só pude assistir uns escassos minutos, logo no início, junto um pequeno vídeo da interpretação, pela Banda Musical Lanhelense, da Portuguesa, em uníssono nacional, bem como um curto extracto da intervenção de Luciana Simões, aluna da EB 2,3/Sec., de Caminha, que procedeu à leitura de um interessante texto alusivo à efeméride em causa. A qualidade do vídeo é a possível, dadas as muito más condições de gravação.


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