VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Teatro no CIRV - Bendita Queimadela

Vai realizar-se, uma vez mais, na quadra natalícia, a apresentação de um espectáculo de teatro no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense.

2010, porém, não é um ano qualquer. O CIRV comemora o seu 75º aniversário e este importante evento fez com que o GEPPAV – Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense, naturalmente com o acordo e em colaboração com a direcção da colectividade, de que é secção autónoma, se envolvesse mais directamente também nas opções teatrais. De facto deve-se a este grupo não só a possibilidade de levar a cena uma peça escrita por um vilarmourense (Avelino Porto, irmão do Arq. José Porto), em 1949, como ainda o ter conseguido a preciosa colaboração de um encenador/ensaiador com a experiência e os conhecimentos que, reconhecidamente, Fernando Borlido possui.

A peça em questão – Bendita Queimadela - é uma comédia divertida, a ser apresentada em estreia no dia 26 de Dezembro, Domingo, à tarde, pelas 15H00, para a qual foram idealizados e construídos novos cenários e será representada por um grupo de vilarmourenses onde predomina a juventude, também por isso alguma inexperiência, mas muita vontade e empenho.

Porque estou certo de que não irão dar por perdido o vosso tempo, porque a associação precisa de todos, porque esta equipa que tanto tem trabalhado o merece, aqui fica o meu apelo: VENHAM AO TEATRO AO CIRV NO DIA 26, ÀS 15H00! 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Visita de estudo? Manifestação pacífica?


No dia 12 de Dezembro aconteceu um fenómeno (que se repetiu no dia 13 embora me pareça que com menos intensidade) a que eu nunca tinha assistido apesar de ter passado a maior parte da minha vida nesta localidade.
Alguns vilarmourenses, porém, pessoas mais atentas a tudo o que tem a ver com o rio e sua fauna, garantiram-me que isto acontece com alguma frequência, sempre no inverno e em vários locais.

Para mim e, estou certo, para muitos dos meus conterrâneos, a concentração maciça de peixes junto à Ponte Medieval de Vilar de Mouros, tal como as fotos documentam, é uma novidade. As espécies piscícolas, sobretudo mujos e negrões, sobem o rio de manhã, vindos das proximidades da foz e “acampam” em locais por si escolhidos, onde se mantêm até ao pôr do sol, altura em que fazem a viagem de regresso. A última foto documenta precisamente esse momento, o início da debandada, seriam uma 17H15.

Para poderem constituir aquela enorme e impressionante mancha negra têm de ser muitos e muitos milhões que, este ano e pelos vistos, decidiram visitar e apreciar demoradamente o Monumento Nacional classificado que é a nossa bela ponte. É realmente curioso que aquela autêntica nuvem subaquática tenha, toda ela, estacionado a jusante da ponte, parecendo contemplá-la, sem nunca passar para o lado de cima.
Ou terá sido uma manifestação pacífica, não sei se autorizada ou não...contra o extermínio dos seus semelhantes e posterior desaparecimento do resultado das "autópsias" ocorridos no verão passado? 


Bom, seja como for, já que os peixes “residentes” e os que vêm de montante são assassinados com uma regularidade assustadora (voltarei ao tema, não está esquecido…), sejam bem vindos os que vêm de baixo!











Convívio de Professores do “Integrado”

Em Janeiro de 1974, tinha eu 28 anos (que saudades…) e na sequência de uma carta assinada pela Dra Ana Maria Benard da Costa, então Chefe de Divisão do Ensino Especial do Ministério da Educação, abrindo candidaturas para a frequência de um curso a realizar em Lisboa, visando uma experiência de integração, a nível nacional, de crianças com problemas de ordem sensorial ou física (cegas, surdas ou com deficiências motoras), nas escolas do denominado “ensino regular”, iniciei um percurso que iria mudar profundamente não só toda a minha carreira profissional, como a minha própria visão do mundo.
De facto, a riqueza das experiências vividas, quer durante o curso de especialização (no meu caso para a deficiência auditiva), que coincidiu com o 25 de Abril, quer depois, no trabalho realizado no terreno, nas então denominadas “equipas do ensino integrado”, fizeram de mim uma pessoa diferente.

Foram essas equipas que, a partir do ano lectivo de 1975/76 iniciaram, com um mínimo de condições, um bem difícil trabalho de despiste, encaminhamento médico, sensibilização, integração e apoio de alunos em escolas ditas “normais” já que, até aí, essas crianças ou estavam em casa sem frequentar qualquer estabelecimento escolar (a grande maioria) ou internadas em instituições só para deficientes.
Sendo, de início, uma experiência limitada a alguns, poucos, distritos - Lisboa, Porto, Coimbra, Viana do Castelo, Viseu, Guarda e Castelo Branco -  e posta em prática, localmente, por escassas sete dezenas de professores - em Viana era eu, a Palmira, a Homera, a Maria Jósina, a Maria do Céu e a Beatriz - (esta última só no 1º ano) foi, lentamente, crescendo, tanto em área abrangida como em número de docentes, espalhando-se por todo o país e constituindo uma extensa  rede  de  professores de apoio  que promoviam,  dentro  do possível, a integração de alunos portadores de qualquer tipo de deficiência ou dificuldades graves de aprendizagem nas escolas regulares.  Com a evolução de conceitos de ordem educacional e o reconhecimento (Declaração de Salamanca – 1994) de que “as escolas devem acolher todas as crianças independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras”, essas equipas foram sendo adaptadas às novas exigências, com a passagem progressiva de responsabilidades para as escolas e acabaram mesmo por ser, como tal, extintas. Hoje compete às escolas e agrupamentos a busca de soluções   para todo o tipo de problemática, incluindo a deficiência, dos seus alunos.  Se, teoricamente, esta opção nem sequer me parece questionável, uma vez que a existência de uma entidade exterior à escola , como o eram as equipas, pode ser considerada, só por si, um factor de não inclusão, já quanto aos resultados práticos da sua implementação no terreno não posso, nem quero, pronunciar-me, por informação insuficiente sobre a matéria.


O que me interessa mesmo, neste momento, destacar, são os laços de amizade, de companheirismo e de solidariedade que ficaram e não mais desaparecerão, estou certo, de entre os docentes que constituíram essas equipas, de que eu sinto muita satisfação em ter sido co-fundador.

A prova está neste maravilhoso convívio, que vem ocorrendo anualmente, pelo Natal, desde há três anos a esta parte, num hotel do Porto, o último dos quais no dia sete de Dezembro e em que participaram cerca de três dezenas de pessoas, todos docentes
 reformados, antigos elementos das denominadas equipas do “integrado” da zona norte, alguns dos quais responsáveis, na DREN, pela organização e coordenação do trabalho em toda a região, como o foram as dras Pilar, Manuela Pinto, Gabriela e outros mas, que me perdoem a especial referência, não posso deixar de destacar aqui, por também ter sido, para além de uma boa amiga, a única presente que foi minha professora no Curso de Especialização, em 1974/75, a Prof. Maria dos Santos Lé!









Para todos, incluindo os ausentes, não esquecendo a grande “responsável” por tudo isto, Dra Ana Maria Benard e também a Dra. Cláudia Fernandes, coordenadora da deficiência auditiva a nível nacional, o meu abraço muito amigo e votos sinceros de um feliz Natal e melhor Ano Novo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Caixa de multibanco assaltada

Foi assaltada, supõe-se que na madrugada do dia um para o dia dois de Dezembro, a caixa de multibanco que existe  numa dependência das instalações da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, aí colocada como forma de fazer face a uma necessidade sentida aquando da realização de uma série de seis festivais de música iniciada em 1999 e no âmbito de um acordo que envolveu a Junta de então, a Organização do Festival e a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo.  

Quem primeiro deu o alarme foi um elemento da Junta que, na última quinta-feira, dia de atendimento ao público, quando pelas 18H00 pretendia entrar na sede, reparou que o canhão da fechadura da porta se encontrava rebentado (Foto 2).

Ignorando o que se havia passado, só terá entrado no edifício após a comparência da GNR, entretanto avisada.

Foi então que se constatou que alguém havia entrado, através dessa porta, na dependência onde se situa o cofre, contígua ao espaço em que é prestado atendimento ao público, tendo o mesmo sido arrombado, ao que se consta, com o auxílio de um maçarico.

O “trabalhinho” foi feito com tal limpeza que, mesmo após o assalto, o ecrã do multibanco continuou activo, apenas com a indicação de que não era possível levantar dinheiro (foto 3). Pudera, todo ele havia sido “levantado” de uma só vez!

Hoje, dia três de Dezembro, o ecrã encontra-se, como seria de esperar, totalmente apagado e o caso a ser averiguado pelas entidades policiais competentes.
Esperemos que a desactivação seja por pouco tempo pois os vilarmourenses e outros residentes nas proximidades já se habituaram a frequentar este multibanco com regularidade e vão estranhar a sua ausência.

Não sendo ainda conhecido o valor do furto sabe-se que, pelo menos até ao momento, os membros da Junta não detectaram o desaparecimento de qualquer documentação ou equipamento daquela entidade.
Por curiosidade procurei no motor de busca da Google a ver se havia alguma referência ao ocorrido. Haver, havia, na edição on-line do Correio da Manhã mas, já agora e porque me parece digno de registo, pelo ridículo, cito o que lá está (ou estava) escrito sobre o assunto:

   “o roubo terá sido feito entre as 17h00, quando a Junta fechou as portas, e as 18h30, altura em que foi dado o alerta à GNR, devido ao barulho sentido no interior da Junta”.

Grande poder imaginativo, hein? Por favor,  não brinquem à informação!...Quando não sabem perguntem ou então estejam calados!

sábado, 27 de novembro de 2010

Associação de Reformados e Pensionistas de Caminha - ARPCA

A Associação de Reformados e Pensionistas de Caminha (arpcaminha@gmail.com) , criada a 24 de Novembro de 2009, é uma instituição de carácter social, sem fins lucrativos e que tem como seus principais objectivos, por um lado, combater e minorar a pobreza que ainda afecta tantas pessoas, sobretudo idosas, no concelho de Caminha ajudando-as, por exemplo, a ultrapassar dificuldades de mobilidade, em especial para deslocação a centros de saúde ou hospitais e, por outro, proporcionar-lhes, tanto quanto possível, actividades que, de
algum modo, contribuam para a diminuição do isolamento em que algumas vivem, através da realização de passeios-convívio a baixo custo, torneios de cartas, malha e outros jogos.

Trata-se de uma associação ainda recente, com recursos muito limitados e que, por isso mesmo, vem sentindo naturais dificuldades. A eleição dos seus primeiros corpos gerentes aconteceu já em 2010, no dia 20 de Janeiro, quando era constituída por 85 sócios, sendo eu um deles.
Não vou aqui repetir o nome das pessoas eleitas para os diferentes órgãos sociais, até porque isso foi feito na devida altura pela comunicação social local “caminha2000” e “o caminhense” e encontra-se acessível a quem tiver interesse em consultar. Direi apenas que tive o prazer de ter sido professor do presidente da direcção, Ricardo Vila Pouca, de Venade, ainda um jovem de 52 anos, reformado por motivos de saúde e que o vice-presidente é o vilarmourense e também meu amigo, Luís Moreira.

Embora não tenha acompanhado de perto todas as iniciativas da associação, sei que vem desenvolvendo um bom trabalho para os escassos recursos de que dispõe, tendo o número de sócios aumentado já para 160 e possuindo, ainda que precariamente, um espaço para sede, cedido pela Junta de Freguesia de Caminha.
Hoje, dia 27 de Novembro, assinalou o seu primeiro aniversário com a realização de um almoço no salão do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense – CIRV. Nesse almoço, confeccionado e servido pelos alunos da Etap – Escola Profissional de Caminha, participaram cerca de cem associados e ainda vários convidados.

No final um agrupamento musical de Vila Praia de Âncora animou “as tropas” com música de baile para quem quis desgastar o bom bacalhau servido.
Na curta intervenção que fez, Ricardo Vila Pouca agradeceu a todos os que compareceram, muito em especial às entidades que se fizeram representar (Câmara Municipal e Bombeiros de Caminha) ao Pároco da freguesia e ao Dr. Narciso Correia, ambos presentes, a este último pelo importante apoio jurídico que tem vindo a prestar à associação. Referiu e lamentou a ausência de juntas de freguesia como a de Caminha e a de Vilar de Mouros, bem como a da comunicação social que, apesar de convidados, não compareceram.

Prometeu a intensificação do trabalho para 2011 e pediu aos sócios presentes que se mobilizem cada vez mais no sentido de trazerem novos aderentes e, dentro das possibilidades de cada um, contribuírem com um donativo, já que as receitas são muito escassas e aquilo que vem sendo feito é-o, quantas vezes, à custa dos próprios bolsos dos elementos da direcção.

Recusou-se a embarcar em ilusões e referiu a necessidade de se ir caminhando com passos curtos mas seguros, até pela situação difícil que o país atravessa, sendo que toda a colaboração será decisiva na maior ou menor actividade e projecção da ARPCA em 2011, ano em que serão privilegiadas as parcerias com outras associações, como já acontece com o CIRV, de Vilar de Mouros, de forma a possibilitar a concretização de iniciativas que pretende venham a crescer em quantidade e diversidade.

Porque penso serem cada vez de maior importância, nos tempos que correm, associações que, como esta, estejam vocacionadas para a ajuda e prestação de serviços aos mais idosos e, de entre estes, aos mais desprotegidos, não quero deixar de felicitar, na pessoa do Ricardo, a direcção e todos aqueles que, de algum modo, vêm contribuindo para que a ARPCA tenha conseguido, com muito esforço e sacrifício, fazer o que já fez e desejar o maior sucesso para todas as suas acções futuras. Pela parte que me toca poderão sempre contar com todo o meu apoio e solidariedade.






domingo, 14 de novembro de 2010

Estrada da Cavada

Eu não acredito em bruxas (aliás, já quase não acredito em nada) mas começo a ter dúvidas se o galego não teria razão quando dizia "non creo en bruxas pero que as hai, as hai"!

Realmente, o que se está a passar com as obras de beneficiação (?) da Estrada da Cavada parece só ter justificação num qualquer fenómeno que ultrapassa a capacidade de entendimento de um ser humano normal. 

Todo o vilarmourense sabe que a necessidade de realização de obras nesta importante via de comunicação, que serve todo o populoso lugar da Cavada e liga à vizinha freguesia de Sopo, data de há longos anos. Já no tempo da câmara socialista Vilar de Mouros reivindicava a realização dessas obras. Elas foram sendo prometidas, prometidas…mas sempre adiadas.
Com a mudança de poder no município o cenário manteve-se: a junta pedia, tornava a pedir, reclamava, a repavimentação da Estrada da Cavada ia constando, ano após ano, do plano de actividades camarário, mas a sua concretização não havia maneira de avançar. Claro que a gravidade da situação ia aumentando assustadoramente, a Estrada da Cavada já era motivo de chacota generalizada até que, em Abril de 2009 (por coincidência, claro, ano de eleições), a Sra Presidente da Câmara, no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, onde se deslocou para fazer a apresentação pública do projecto e assinatura de contrato de empreitada do novo Centro Escolar afirmou, em resposta a questão que lhe foi colocada pelo Presidente de Junta de então, que a repavimentação e beneficiação dessa estrada já havia sido adjudicada e iria avançar brevemente.
Como faltavam cerca de seis meses para as eleições autárquicas pensei: “agora vai mesmo”! Qual quê!? Passaram as eleições, o PSD até as ganhou, no município como na freguesia, mas as obras só começaram, se a memória não me atraiçoa, em Fevereiro! Arrastaram-se, pararam, recomeçaram e, em Setembro, lá foi colocado o piso betuminoso.

Entretanto, o general Inverno, logo nas primeiras chuvadas, decidiu pôr a nu a “qualidade” da obra. Ainda nem concluída está e, como se pode ver pelas fotos (tiradas hoje, 14 de Novembro), a estrada já revela fragilidades tais que não me parece difícil prever como vai ser curta a sua vida!
A camada de alcatrão é finíssima; a terra que o suporta não está devidamente compactada e cede às primeiras infiltrações de água, provocando o que as fotos documentam; os tubos colocados nas valetas nos locais de acesso a entradas e caminhos são estreitíssimos, entopem com facilidade provocando a invasão do piso pelas águas pluviais; quanto a passeios, numa zona com tantas casas e tão frequentada por peões, nem vê-los!

É caso para dizer: levou tempo mas…não valeu a pena!
Uma palavra final para o papel da Junta de Freguesia em todo este processo. Sei que não se trata duma obra sua, mas sim da inteira responsabilidade da Câmara Municipal. No entanto, nem por isso se pode colocar totalmente de fora pois, como afirmou a Sra Presidente, “a junta acompanhou as obras da estrada”. Então, se acompanhou, tem de estar mais atenta ao seu evoluir e chamar a atenção do município (com muito cuidado…muito cuidadinho…) para questões pertinentes que poderão melhorar a qualidade final da obra. Não sei se o não fez ou se não foi ouvida.