VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Caminho Soldado Mário Rocha

A 5 de Outubro de 2011, dia em que se comemora a implantação da República e ano em que se assinala a passagem do 50º aniversário do início da guerra colonial no ultramar português, foi homenageado em Vilar de Mouros o único filho desta terra que perdeu a sua vida em combate, na Guiné, onde integrava uma companhia de comandos (tropa de elite do exército), no dia 27 de Dezembro de 1970, com 22 anos de idade.

Da cerimónia, organizada pela Comissão de Combatentes do Ultramar do concelho de Caminha e pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e que contou com a colaboração da Liga dos Combatentes e o apoio da Câmara Municipal de Caminha, constaram três actos: a celebração de uma missa de homenagem na Igreja Paroquial de Vilar de Mouros, o descerrar de uma placa com a alteração toponímica que passou a designar o antigo “Caminho da Rapada” por “Caminho Soldado Mário Rocha”, no lugar da Cavada, nesta localidade, e o descerrar de outra placa, previamente colocada na parede fronteiriça ao caminho em causa, na casa onde nasceu o soldado homenageado, hoje habitada pelo seu irmão António, com as insígnias da Liga dos Combatentes e os dizeres
 “HOMENAGEM AO SOLDADO “cmd” MÁRIO M. ROCHA”. O primeiro descerramento foi efectuado pela Presidente da Junta, Sónia Fernandes, e o segundo pelo irmão do soldado, como familiar mais próximo ainda vivo, e pelo representante da Associação de Comandos – Delegação de Viana do Castelo.

Participaram nestes actos, em representação das instituições a que pertencem, a presidente e restantes membros da Junta de Freguesia, o vereador do pelouro da cultura da Câmara, o presidente da Assembleia Municipal de Caminha, o presidente e outros dois delegados da Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros (Mário Ranhada, João Arieira e José Barros), um elemento do GEPPAV (Plácido Souto), o comandante da Capitania do Porto de Caminha, vários membros da Comissão de Combatentes do Ultramar do concelho de Caminha bem como da Associação de Comandos (Delegação de Viana do Castelo) e da Liga dos Combatentes.

Usaram da palavra, em curtas intervenções, a Presidente da Junta e o vereador do pelouro da cultura da Câmara Municipal (aquando do descerrar da placa com o novo nome atribuído ao caminho) e ainda os representantes da Comissão de Combatentes do Ultramar do concelho de Caminha e da Associação de Comandos – delegação de Viana do Castelo (aquando do descerrar da placa colocada na casa onde nasceu o homenageado).

Todos eles, de uma maneira geral, se referiram à importância e ao significado da realização desta cerimónia no dia em que se comemora a implantação da República e manifestaram o seu regozijo não só pelo elevado número de entidades que se fizeram representar como
 pela elevada participação de público em geral, tendo os dois oradores militares destacado e enaltecido as qualidades e virtudes inerentes às forças a que pertenceu o soldado Mário, os “comandos”, nomeadamente o seu amor devoto à pátria que defendem, um grande sentido de responsabilidade, carácter, coragem, lealdade, obediência e determinação no cumprimento das suas missões, à custa da própria vida se necessário for. A sessão foi encerrada com o grito de guerra desta tropa de elite, repetido várias vezes pelos ex-combatentes presentes - Mama Sume - em português “aqui estamos prontos para o sacrifício”.

Pela minha parte quero aqui felicitar todos quantos contribuíram para que este acto de uma mais que justa homenagem tivesse sido possível, muito em especial à Comissão de Combatentes do Ultramar
 do Concelho de Caminha e à Junta de Freguesia de Vilar de Mouros. Não posso, no entanto, deixar também de referir, por dever de justiça e amor à verdade, que todo o processo administrativo que conduziu à atribuição do nome “Soldado Mário Rocha” a este caminho foi iniciado e concluído, a pedido da Comissão de Combatentes do Ultramar do concelho de Caminha, pelo executivo anterior da Junta.

Em 2006 foi elaborada e enviada ao município, depois de apreciação e concordância unânime em Assembleia de Freguesia, a respectiva proposta de alteração toponímica. Ora, só em 2009 e após repetidas insistências, já muito em cima do período eleitoral autárquico que se
 avizinhava, chegou a indispensável autorização. Assim, não houve condições para organizar uma cerimónia com o mínimo de dignidade que o acto justificava, o que fez com que esse processo transitasse para o mandato seguinte.

Esclarecido este ponto e já que não me é possível dirigir ao soldado Mário Maciel Rocha (antes fosse…) resta-me uma palavra final para a sua família, na pessoa do único irmão ainda vivo, o António Rocha. António, o teu irmão teve uma homenagem merecida, ficará para a história como um herói que morreu em combate, na defesa dos valores em que acreditava, destacando-se, de entre estes, o amor
 à sua pátria. Isso deve ser um motivo de orgulho e de satisfação para ti, quero crer, e é justo que assim seja. Porém, nem consigo sequer imaginar, porque estas situações só as vive quem as sofre na pele, a tua dor e a de todos os teus quando soubestes da morte de este ente querido, aos 22 anos de idade, numa terra distante, numa guerra, sabe-se hoje e já alguns o diziam na altura, desnecessária e condenada ao insucesso.

Só que o Mário e a esmagadora maioria dos que eram enviados para a frente de combate estavam convencidos de que lutavam por uma causa justa e de que a vitória era possível. Daí que o seu esforço, o seu mérito, a sua valentia e abnegação justifiquem, exijam mesmo, o nosso maior respeito e consideração mas…quanto não darias tu por tê-lo hoje ao teu lado? É que, não só ele como muitos milhares que
 perderam a vida numa guerra que durou treze longos anos e destroçou tantas famílias portuguesas podiam ainda estar vivos não fora a teimosia e a cegueira política dos governantes de então. Que ao menos o sacrifício destes valentes possa servir de exemplo para o futuro!

Um forte abraço de solidariedade, caro António Rocha

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

BC 9 - Confraternização de ex-militares



No dia 30 de Abril último, ex-militares do antigo quartel de Viana do Castelo, Batalhão de Caçadores 9, onde estive colocado (como outros vilarmourenses) e onde passei cerca de três anos da minha juventude (entre 1967 e 1970), realizaram o já tradicional encontro de confraternização que desde há tempos a esta parte vem tendo lugar.

Esse encontro, organizado, uma vez mais, pelo Mota, um dos “velhos guerrilheiros”, constou, como também vem sendo habitual, de uma visita ao interior das edificações do extinto quartel, este ano apenas às muralhas do Forte de Santiago da Barra, construção medieval, classificado como “Imóvel de Interesse Público” e utilizado, nos meus tempos de tropa, como instalações militares, servindo sobretudo para centro logístico e operacional de apoio aos batalhões mobilizados que ultimavam a sua preparação antes do embarque para as guerras coloniais. Hoje acolhe a sede da Região de Turismo do Alto Minho, compreendendo um moderno Centro de Congressos.

O encontro prosseguiu com o já também tradicional almoço, num restaurante de Santa Marta de Portuzelo, em que participaram muitos antigos camaradas de armas e alguns familiares, tendo-se aproveitado para reviver velhas histórias de caserna e estreitar laços de amizade que perdurarão para sempre entre companheiros que viveram momentos, por vezes bons, outros muito complicados, sobretudo para aqueles a quem calhou na rifa terem de ir para o ultramar combater, como se dizia na altura, os "turras" ou “terroristas”. Os jovens de hoje nem imaginam o bom que é ter sido afastado dos seus horizontes o fantasma omnipresente de um dia poderem vir a ser obrigados a partir para uma guerra longínqua, desnecessária e injusta.

Não quero concluir sem deixar bem expresso o meu desejo de muita saúde e felicidade a todos e agradecer, especialmente ao Mota, a excelente iniciativa que teve e vem mantendo ao longo dos anos.
Junto algumas fotos para mais tarde recordar bem como um pequeno vídeo que fiz da confraternização de 2009, que está disponível há muito no youtube mas que, provavelmente, poucos viram. Visto que eu apenas disponho de dois ou três, peço a quem tenha contactos de e-mail destes amigos (os que aparecem nas fotos e vídeo e, eventualmente, de outros) o favor de lhes enviar o link desta mensagem.
Vídeo de 2009

Outras fotos de 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FESTIVAL? – assim, NÃO, obrigado



Construção em homenagem ao Dr. Barge (a corrente foi-se há muito)
  Realizou-se, com início às 16 horas de 21 (domingo) e término pelas 10 da manhã de 22 de Agosto (segunda-feira, dia de trabalho para muitos), nos largos do Casal e Dr. António Barge, imediatamente a seguir ao já tradicional encontro anual do Grupo Motard, um evento musical organizado pela empresa Energie Music, com os apoios institucionais da Câmara Municipal de Caminha e da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros. Não, não teve nada a ver com o Festival de Música de Vilar de Mouros: reconheceu-o a Câmara, disse-o a Junta. Foi mais, digo eu, uma “village party”, ou seja, uma espécie de “beach party”, à base de música electrónica, só que, em vez de ter lugar, como devia, numa praia (beach), veio para o centro de uma povoação (village) onde existem, bem perto, habitações com crianças e pessoas acamadas que tiveram de suportar, durante cerca de 18 horas consecutivas, todo aquele intenso barulho. Assim, não me interessa muito falar sobre um evento que, na minha opinião, nem devia ter existido, e onde nem pude estar por razões pessoais, mas antes sobre todo um processo assaz confuso que o antecedeu, bem revelador da incapacidade do poder instalado, que domina e governa (?) o município, para dar uma resposta satisfatória à problemática do festival. Claro que em águas turvas é mais fácil pescar e aí surge sempre o oportunismo de alguns que tentam retirar o máximo proveito dessa mesma confusão e incapacidade. Foi, não tenho dúvidas, o que aconteceu neste caso. Senão, e fazendo uma curta retrospectiva sobre o que disseram alguns intervenientes, nos últimos tempos, sobre o assunto, vejamos esta delícia de coerências:

Assembleia municipal de 17 De Dezembro

Foto tirada dia 22 à tarde
A Presidente da Câmara, questionada pelo delegado vilarmourense da CDU, Carlos Alves, afirmou que “quase se atrevia a delegar” os esclarecimentos necessários na presidente da Junta de Vilar de Mouros, uma vez que vem sendo esta entidade e o sr vereador que têm acompanhado de perto todo o processo com vista à retoma do Festival de Música de Vilar de Mouros. Acrescentou que houve várias empresas que manifestaram interesse em organizar o festival, havendo, já nessa altura, propostas entregues por algumas delas e considerou de toda a importância, por ser a forma mais transparente de proceder, a elaboração de um caderno de encargos com vista à apresentação de um concurso público para escolher a melhor proposta. A rematar sublinhou que o Festival de Vilar de Mouros, como todos os outros, é um negócio, não competindo nem à Câmara nem à Junta de Freguesia a cobertura dos seus prejuízos.

Sobre isto ocorrem-me duas questões:

- por que razão, passados oito meses, não se sabe nada sobre quais as empresas que apresentaram propostas, qual o conteúdo mínimo dessas propostas e se já foi ou não elaborado o tal caderno de encargos?

Desfazer da tenda. Não pude estar antes
- sendo evidente que as empresas pretendem ganhar dinheiro com a organização dos festivais, é para isso que trabalham, os festivais não têm sido também um bom negócio para Vilar de Mouros e para Caminha? Quantos milhões de euros não terão entrado no concelho à “boleia” das 9 edições realizadas entre 1996 e 2006? Isto não diz nada à sra presidente? Não deve ser por acaso que Caminha é constantemente ultrapassado pelos demais concelhos.

Assembleia municipal de 25 de Fevereiro

Em resposta a uma série de questões e comentários colocados pela delegada vilarmourense do PS, Julieta Alves, Narciso Correia, delegado e líder parlamentar do PSD teceu um conjunto de considerações de que destaco e passo a sintetizar:

- é preciso reflectir sobre que tipo de festival queremos, já que o de 1971 (até disse 73, naturalmente por lapso) “não tem nada haver com as últimas edições” (sic, transcrito da acta on-line, dessa reunião, do sítio da Câmara), sem qualquer cartaz, com (e volto a citar) “uns grupitos que andam ali numas digressões europeias, que
 fazem um ‘biscate’ aqui às 10 e depois vão fazer à meia-noite outro noutro lado. Faz-me lembrar alguns artistas que andam de romaria em romaria no Verão, tocam às nove nesta, às 10 naquela, às 11 na outra”;

- tendo surgido, depois de Vilar de Mouros, uma série de festivais de música com gente nova, como em Paredes de Coura e no Alentejo, é um disparate fazer aqui mais um semelhante, devendo antes optar-se por uma solução de mercado completamente diferente, que talvez não exista em Portugal mas sim na Europa, com grupos como os Eagles, os Supertramp e outros, que fazem, na Alemanha, festivais com 100, 200 e 300 mil pessoas e nem cobram tanto dinheiro como esses grupos novos pois, sendo ricos, tocam mais por prazer que outra coisa.

- duvida muito do interesse das empresas que habitualmente concorrem à organização do Festival de Vilar de Mouros em querer fazer um evento com estas características.

Analisando estas ideias tenho de concordar que, de um modo geral e pelo menos no plano teórico, elas são bastante interessantes mas, na prática, duvido muito da sua aplicabilidade, como aliás e de forma implícita o seu autor acabou por admitir. Todavia e embora concordando que o cartaz das últimas edições não foi brilhante, acho um exagero tremendo meter no mesmo saco dos “grupitos que andam ali numas digressões europeias” a fazer uns “biscates”, nomes como (podia ir buscar outros bem mais sonantes mas vou
 reportar-me apenas a 2005 e 2006, as duas últimas edições, “diabolizadas” pelo município…) Joe Cocker, Robert Plant, Peter Murphy, The Durutti Column e Xutos e Pontapés, curiosamente todos eles já em actividade artística na década de 70. 

Por outro lado, esta intervenção do sr delegado do PSD põe-me outro tipo de dúvidas, tais como:

1 - Para se conseguir ou, pelo menos, tentar um tipo de festival diferente e melhor, como todos gostaríamos, não teria de competir à Câmara a iniciativa de o promover, nomeadamente através do estabelecimento de contactos com as tais empresas europeias que o fazem noutros países? E fê-lo? Claro que não! Bem, então temos de concluir que, pelo menos aqui, não há qualquer sintonia entre o que pensa o líder parlamentar do PSD e o que fez a Câmara, que se limitou, tudo o indica, a aguardar que as empresas aparecessem com propostas, delegando na presidente da Junta de Vilar de Mouros e num vereador toda a responsabilidade do processo.

2 – Sem, de algum modo, querer pôr em causa a sinceridade das opiniões do sr deputado, receio também que a sua intervenção, mesmo não fazendo parte duma estratégia concertada, possa vir a ser aproveitada por quem gere o município para justificar aquilo que me parece evidente: a total incapacidade em definir uma estratégia e encontrar quem queira organizar novas edições. É que, subindo


31 de Julho, azenhas...sem "festival"
   muito a fasquia, o insucesso poderá ser mais facilmente desculpável.

Assembleia de freguesia de 29 de Abril

Não vou aqui desenvolver o que foi dito nesta assembleia sobre o evento realizado há dias, uma vez que já o fiz em anterior mensagem deste mesmo blogue, no ponto 2, com o subtítulo “Festival em Vilar de Mouros”, que poderá ser consultado por quem estiver interessado. Assim, limito-me a recordar que a Presidente da Junta informou tratar-se de uma proposta da empresa Energie Music, que escolheu o dia 21 de Agosto por coincidir com o fim do festival de Paredes de Coura e julgar que pode tirar daí algum proveito em termos de afluência de público. Disse ainda que continua a aguardar, até final de Abril, a apresentação de propostas que dêem garantias de um projecto por um período alargado de tempo e que o acordo a que se chegou com a Energie Music para este ano tem também como objectivo ser um chamariz para que outras empresas possam avançar e vir de encontro ao que se pretende, se possível já para 2012.

Conferência de imprensa em Junho, no Salão Nobre

Segundo o jornal “Caminhense”, de 24 de Junho, realizou-se no Salão Nobre da Câmara Municipal uma conferência de imprensa para apresentação do cartaz, com a presença do vereador da cultura, Paulo Pereira, em representação do município e de Miguel Rendeiro, da empresa organizadora. Aí foi dito, pelo primeiro,
 conforme o mesmo jornal, que “este evento não vem substituir o festival de Música de Vilar de Mouros que já não se realiza desde 2006” e que “tem uma identidade própria”, escusando-se, no entanto, a pronunciar-se sobre o futuro. Já Miguel Rendeiro, em representação da Energie Music, afirmou, segundo o mesmo jornal, que “o Festival de Vilar de Mouros acabou…foi um marco desta região, mas para nós acabou”. Pelos vistos o sr vereador ficou mudo e quedo depois de ouvir isto, como continuaram calados Junta e Câmara, nenhum reagindo a estas palavras do empresário.

Agora pergunto eu: afinal em que ficamos? Alguém se apercebeu de, ao menos, um ténue fio condutor de pensamento coerente no meio desta trapalhada toda? Então é aceitável que, depois de se assumir que um dos objectivos do acordo com a Energie Music para a organização do evento deste ano seria o de cativar o interesse de outras empresas para a apresentação de projectos interessantes, por um período alargado, para a retoma do Festival, se fique calado quando o representante dessa mesma Energie Music diz, em conferência de imprensa e “nas barbas” do vereador, que “o festival de Vilar de Mouros acabou”? É anunciando-lhe a morte que se faz a promoção?

No entanto e evidenciando o tal oportunismo típico do chico-espertismo português, não se teve pejo em escrever, no desdobrável onde consta o cartaz do “festival”, logo no início do texto, que (e cito) “Vilar de Mouros está de volta…aquele que é considerado por muitos como um local de culto e o palco natural dos grandes concertos ao ar livre, vai receber grandes nomes da música…”. É preciso ter lata!

A concluir julgo ser interessante retomar a questão do negócio de que falou a presidente da Câmara: afinal, este ano, quem lucrou

Extenso Largo Dr António Barge
  com o negócio? Só se foi a empresa organizadora…essa acredito que sim: apanhou as “sobras de Paredes de Coura”, os terrenos comprados por outros, o nome mítico de um festival que ela diz ter acabado! A Junta, pelo que se sabe, não recebeu nada, beneficiações na freguesia não se vêem (nem os balneários do palco foram ainda arranjados…), é certo que foram distribuídos bilhetes gratuitos a toda a população recenseada que o desejou mas, tanto quanto me consta pelas informações que colhi, uma vez que, como já escrevi, não pude estar presente, foi escassíssima a adesão dos vilarmourenses a um “festival” com o qual a esmagadora maioria não se sente identificada. Como é possível, em tão pouco tempo, um volte-face como este? Anteriormente as empresas pagavam, e bem, para poderem fazer o festival, adquiriram para a freguesia todo aquele enorme espaço da Chousa hoje chamado Largo Dr. António Barge (desta vez cedido de borla para a tal “village party”), assumiram a realização de muitas benfeitorias e agora, segundo a própria presidente da câmara, parece estarem à espera que seja a autarquia a garantir a cobertura dos prejuízos! Que se passa? Qual a razão que leva as empresas a retraírem-se? Que esteve na base de tudo isto? Deixo a pergunta à reflexão dos vilarmourenses e caminhenses.



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Chafariz em estado de coma


água choca e lixo

O chafariz da Praça Conselheiro Silva Torres, no centro da vila de Caminha, é uma belíssima obra arquitectónica renascentista, construída entre1551 e 1553, da autoria do mestre vianense João Lopes, o Velho, o mesmo projectista que concebeu o chafariz de Pontevedra, na Galiza e o da Praça da República, em Viana do Castelo, tendo sido classificado como monumento nacional por decreto de Junho de 1910.

Há cerca de seis anos, em 2005, a Câmara Municipal decidiu proceder a trabalhos de limpeza, estabilização, conservação e embelezamento do mesmo. Foi uma intervenção bastante onerosa,
 da ordem de várias dezenas de milhar de euros, na altura algo contestada por alguns, não só pelos elevados valores envolvidos mas sobretudo por haver quem considere que esta forma de operações de limpeza acelera o processo de erosão do granito, começando pela deterioração dos pormenores devido à remoção da pátina, ou seja, daquela capa escura existente na superfície de rochas, edifícios, moedas e outros objectos, que se forma devido à alteração provocada pela acção prolongada de agentes físicos e, ou, químicos, mas que acaba por ser também uma elemento de protecção das camadas interiores.

Todavia, a razão para esta minha mensagem não tem nada a ver com esse tipo de discussões técnicas para as quais não me sinto preparado nem vocacionado mas, antes, com uma coisa muito mais
 simples e que toda a gente entende: é que, neste momento, nem sequer existe chafariz no Terreiro de Caminha. E não existe porquê? Porque um chafariz tem de ter, por definição, água corrente! Ora, em plena época balnear, já em Agosto, com as esplanadas do terreiro repletas (e ainda bem…) de visitantes, nem uma gota cai das torneiras de tão bela construção! Pelas fotografias que junto (clicar para aumentar) e que foram obtidas em plena Feira Medieval, pode perfeitamente verificar-se que, quer no tanque circular quer na 1ª e 2ª taças apenas existem uns restos de água choca e misturada com lixo! Como é isto possível? Será que o problema é assim tão complicado de resolver? O bom nome e a imagem de Caminha não mereceriam outro tratamento? Gasta-se tanto dinheiro em coisas de duvidosa, ou nenhuma, utilidade e não sobra nada para pôr água corrente neste lindíssimo monumento localizado no coração de Caminha?!

cai uma gota de tempos a tempos
Note-se ainda que, enquanto decorreu a Feira Medieval, talvez como forma de aliviar um pouco a seca e o peso das inúmeras críticas feitas em relação à falta de condições de higiene para um evento que durou dez dias e trouxe a Caminha tanta gente, foi apenso um “anexo” ao monumento nacional, em forma de torneira, ligada, suponho, à rede de água pública, conforme foto que também publico, tirada no dia seguinte ao final da feira.




torneira como anexo torneiras sem gota de água




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Feira Medieval de Caminha


Decorre, de 15 a 24 de Julho, a Feira Medieval de Caminha, no magnífico cenário arquitectónico que nos é proporcionado pelo belo centro histórico desta vila, este ano, pela primeira vez, com uma duração de 10 dias, a pedido dos comerciantes da localidade.

Estive lá no domingo, dia 17 e hoje, dia 20. Apesar de já haver muita gente a passar férias, a afluência de público vem sendo bem melhor, como é natural, aos fins de semana, baixando imenso nos restantes dias. O tempo também não tem ajudado muito, devido a um vento desagradável que este verão não nos larga e à chuva que,
 segunda-feira, 18, não parou. As fotografias que junto pretendem documentar, tanto quanto possível para o pouco tempo que lá permaneci, o tipo de tendas / barraquinhas existentes e algumas actividades de animação a que tive a oportunidade de assistir. A temática escolhida para este ano é “Trovadores e Jograis – cantigas de amor, amigo, escárnio e mal dizer”.

Os interessados que ainda queiram e possam visitar Caminha nestes dias que restam de feira podem consultar, em pormenor, o seu horário e respectiva programação em http://www.cm-caminha.pt/ver.php?cod=0Z0A, página oficial do município ou, em alternativa, no caminha 2000, http://www.caminha2000.com/jornal/n548/juntacaminha.html#um. Penso que vale bem a pena uma visita, pela cor, pela animação, pela diversidade das ofertas, pelos bons petiscos postos à disposição nas muitas tasquinhas montadas e, também, por todos quantos lá
 trabalham, que lutam, fazendo pela vida em época bem difícil e que têm de pagar uma taxa ao município, que não é propriamente pequena, para poder ocupar o seu espaço. Dois desses espaços (referenciados nas fotos) pertencem a vilarmourenses, sendo um  com objectos de prata e o outro de "comes e bebes".

alegria no trabalho
tenda vilarmourense
vilarmourenses assam
porco na brasa
vilarmourenses "curtem"
simpatia e boa disposição

Idade Média? Não...imagem bem actual, infelizmente!