VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

domingo, 10 de outubro de 2010

100º Aniversário da República

Em Vilar de Mouros

Na sequência de proposta do GEPPAV apresentada na Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros do dia 1 de Outubro e por mim já referida em mensagem anterior, a comemoração do centésimo aniversário da implantação da República revestiu-se, nesta localidade, de uma singular importância, sobretudo em resultado do conhecimento a que conduziu um estudo / pesquisa efectuado pelo (já) vilarmourense professor e historiador Paulo Bento, estudo esse que será dado a conhecer com mais pormenor em livro a publicar brevemente, cujo lançamento está previsto para os próximos dias 16 e 17 de Outubro,  às 17 horas, respectivamente em Vila Praia de Âncora (Centro Social e Cultural) e em Caminha (Salão Nobre dos Bombeiros) e que documenta a importância de alguns vilarmourenses no processo que conduziu à implantação da República.
Estando presentes cerca de três dezenas de pessoas, número muito significativo atendendo à crescente desmobilização da sociedade para este tipo de actos, preocupada que está, e com razão, por outras  questões que a afectam no seu dia a dia, abriu a cerimónia a sra Presidente da Junta, Sónia Fernandes, começando por hastear a bandeira e proferindo, de seguida, umas breves palavras alusivas ao acto festivo e comemorativo do 100º aniversário da implantação da República. Referiu a grande revolução que aconteceu há cem anos, com o fim da monarquia e o início de um regime que instituiu a igualdade dos cidadãos perante a lei e a subordinação do poder executivo ao legislativo,  passando o  povo a ter a possibilidade de eleger livremente os seus representantes para a elaboração de uma constituição. Realçou o reforço do papel da mulher na sociedade a partir de então e disse pretender-se também, com esta cerimónia, homenagear todos os republicanos vilarmourenses que tiveram um importante desempenho na implantação da República.

Em representação das forças partidárias que integram a Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros intervieram em seguida Sónia Torres, pelo PS e Amélia Guerreiro, pela CDU.

Sónia Torres começou por dizer que era com o maior orgulho e satisfação que ali se encontrava, em representação e a pedido do Partido Socialista, destacando a grande similitude entre a ideologia e os valores deste partido e os grandes ideais que estiveram na base do nascimento da República, como sejam a laicidade (separação entre o poder civil e o religioso), a justiça e a igualdade de direitos de todo e qualquer cidadão perante a lei, independentemente da raça, religião, sexo ou ideologia.

Amélia Guerreiro realçou a luta que o Partido Comunista encetou, mesmo na clandestinidade, na defesa de importantes valores republicanos, como a liberdade de expressão, o direito à educação e saúde públicas para todos, a igualdade de classes, a defesa dos direitos dos trabalhadores e dos mais desprotegidos. Disse ainda ter sido no respeito por estes princípios e na sua aplicação na vivência do dia a dia que o seu partido, integrado na CDU e estando à frente dos destinos da freguesia de Vilar de Mouros durante 5 mandatos consecutivos mereceu e justificou, dentro das competências e atribuições de uma junta de freguesia, o apoio esmagador da população.

Ambas terminaram por lamentar que, na actualidade, muitos dos “republicanos” que dizem, nos discursos e, sobretudo, nas campanhas eleitorais, defender estes tão belos ideais, mais não façam, na prática, do que ignorá-los ou espezinhá-los, tendo Amélia Guerreiro afirmado mesmo que alguns se "disfarçam de republicanos para conseguirem reinar".   Deixaram no ar, porém, a esperança de que, no futuro e sobretudo através duma educação para a cidadania, venha a ser possível um progressivo melhoramento duma sociedade que se quer mais justa, solidária a participativa.

Tal como estava previsto, esta importante cerimónia concluiu com a intervenção do historiador Paulo Bento que, após cumprimentar os presentes e agradecer-lhes a sua presença, começou por afirmar que o motivo que o levou a estar ali não tem a ver com o presente mas antes com o passado político de Vilar de Mouros. Chamando a atenção para o facto de poder parecer suspeito, por se tratar da freguesia de todos nós (uma vez que ele próprio, natural de Tondela, já se considera um vilarmourense por adopção) justificou que a importância que atribui
ao acto presente não é um qualquer motivo menor, mas sim uma razão muito especial e que se fundamenta na grande relevância que esta pequena localidade rural teve a nível concelhio e mesmo distrital no processo da implantação da República no nosso país.
A título de exemplo indicou que, em todo o distrito de Viana do Castelo havia, antes do 5 de Outubro de 1910, dois únicos centros republicanos: um em Afife e o outro precisamente na nossa freguesia, tendo o Centro Republicano de Vilar de Mouros sido fundado em Janeiro de 1906. A explicação poderá ser encontrada, segundo disse, na importância determinante que a emigração para Lisboa, nas últimas décadas do século XIX, de alguns estucadores vilarmourenses, teve no despertar de consciências, dado terem contactado de perto, na capital, com meios operários progressivos, republicanos e mesmo socialistas.
Assim, não seria por acaso que tivessem sido estucadores alguns dos principais obreiros desse Centro Republicano, tais como Manuel Joaquim Constantino (foto acima), Abílio António Trovisco
e António Serafim Constantino. Como ainda não terá acontecido também por acaso que fosse em Afife (juntamente com Vilar de Mouros o grande viveiro de estucadores emigrantes na capital) que tivesse sido criado o outro centro republicano do distrito.
Em meu nome pessoal e, estou certo, em nome de todos os verdadeiros republicanos e democratas vilarmourenses, quero deixar aqui bem expressas as minhas felicitações a todos os presentes, ao GEPPAV e, muito em especial, ao Prof. Paulo Bento.



Em Caminha

Também em Caminha, sob os arcos do edifício antigo da Câmara Municipal, se celebrou a 100º aniversário do nascimento da República.

Desta cerimónia, a que só pude assistir uns escassos minutos, logo no início, junto um pequeno vídeo da interpretação, pela Banda Musical Lanhelense, da Portuguesa, em uníssono nacional, bem como um curto extracto da intervenção de Luciana Simões, aluna da EB 2,3/Sec., de Caminha, que procedeu à leitura de um interessante texto alusivo à efeméride em causa. A qualidade do vídeo é a possível, dadas as muito más condições de gravação.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE 1 DE OUTUBRO

Realizou-se no passado dia 1 de Outubro, pelas 21H30, uma sessão ordinária da Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros. Verificando-se a ausência da 2ª secretária da mesa, Carla Feital, foi substituída nessas funções por José Maria Barros. O que parecia vir a ser uma reunião pacífica, já que da convocatória não constavam pontos que pudessem gerar grandes polémicas, acabou por transformar-se numa sessão agitada, levando mesmo a que um dos elementos eleitos abandonasse o local no final do primeiro ponto da ordem de trabalhos, “período antes da ordem do dia”, quando o 1º secretário da mesa, João Barreiros, informou que, devido a uma avaria no seu computador, não lhe fora possível imprimir a acta relativa à sessão anterior, propondo, como forma de ultrapassar este imprevisto, que fosse votada a inclusão da leitura, discussão e votação da acta em causa na reunião seguinte, juntamente com a acta da sessão presente. Amélia Guerreiro não considerou aceitável que o secretário de uma assembleia que teve vários meses para elaborar esse documento não o tivesse feito em devido tempo, afirmou que “são coisas que não cabem na cabeça de ninguém”, que já viu acontecerem muitas irregularidades nestas assembleias mas “isto é de uma incompetência atroz” e que pela parte que lhe toca não anda a brincar às assembleias, retirando-se de imediato. 

De notar que a “guerra” das actas já vem de trás, desde que o 1º secretário se recusou a enviar uma cópia das mesmas juntamente com os restantes documentos para análise dos delegados eleitos para a assembleia, tal como era prática habitual no anterior mandato. Os elementos da oposição, Amélia Guerreiro, João Arieira e Sónia Torres nunca aceitaram de bom grado esta tomada de posição, que consideraram tratar-se de uma prepotência, uma tentativa de limitar a possibilidade de analisar com mais cuidado e rigor tão importante documento e uma perda de tempo que só atrasa os trabalhos da assembleia, já que toda a acta tem de ser lida na hora. 

Os delegados chamaram a atenção, no ponto antes da ordem do dia, para as seguintes questões:


- Amélia Guerreiro

- O barraco de madeira que existe há muitos anos, junto a um monumento nacional (ponte medieval) e que devia ser retirado; para o medidor de caudal semi destruído existente junto à mesma ponte; para o degrau formado na delimitação entre a parte em paralelo e a parte alcatroada, na chamada “subida dos Neves”; para o abandono a que foi votado o caminho pedonal entre a ponte e as azenhas; concluíu felicitando a junta por ter reconhecido que as árvores cortadas não o deviam ter sido, estando agora os rebentos a ser acarinhados.


- Sónia Torres:

Congratulou-se por, finalmente, as obras da Estrada da Cavada terem avançado e perguntou se iria ser colocada mais uma camada de piso; falou nas lombas de trânsito e outras medidas de segurança a implementar junto à escola, perguntando em que pé estão as coisas; salientou a deficiente limpeza das bermas e valetas pela freguesia; relembrou que o tempo escasseia para a concretização das actividades e realizações constantes no Plano de Actividades para 2010.


- João Arieira:

- Recordou a morte de milhares de peixes no dia 29 de Julho, a colocação de avisos, pela Junta (sugerindo que não se tomasse banho enquanto não fosse conhecido o resultado das análises às amostras recolhidas) e o facto de já não haver, há muito, nenhum aviso, mas também não se saber, ainda hoje, se se pode tomar banho ou não; afirmou que a junta tem a responsabilidade de intervir no sentido esclarecer o que se passa e o que pode ser feito para acabar com esta mortandade; informou que ele próprio, na qualidade de membro da assembleia, tomou a iniciativa de enviar um e-mail ao presidente da ARHnorte, solicitando esclarecimentos; depois de autorizado leu esse e-mail em voz alta e ofereceu-se para entregar uma cópia à mesa para o usarem como achassem mais conveniente, uma vez que a ele não lhe fora dada qualquer resposta; chamou a atenção do presidente da mesa para a ordem de trabalhos onde, na sua opinião, não constam assuntos que deviam constar, tais como: as alterações à sinalética de trânsito, aprovadas em minuta na última assembleia para poderem ser implementadas antes do início das aulas e das quais nada mais se soube, a rectificação da falha nas contas de 2009, questão levantada pela CDU na reunião de Abril, reconhecida por um contabilista presente na sessão de Julho e, mais grave ainda, a não alteração das ilegalidades aprovadas pela maioria no que à questão da aplicação de taxas diz respeito.
Foi neste ponto que surgiu a informação do 1º secretário da mesa sobre a impossibilidade de ser lida a acta e que culminou na saída de Amélia Guerreiro. No entanto, apesar de restarem apenas cinco dos sete eleitos, optou-se por continuar a reunião.

Como nota curiosa e no seguimento do que já vem sendo uma prática habitual, registe-se que nenhum dos eleitos “afectos” à maioria pôs qualquer questão, apresentou qualquer dúvida ou sugestão à  junta. 


Às questões apresentadas a Presidente da Junta respondeu o seguinte:

- quanto ao barraco de madeira sabe existir um processo na Câmara, mas encontra-se em impasse;

- já foi solicitado o arranjo do degrau no início da “subida dos Neves”, bem como a mudança dos postes existentes na curva, que já causaram vários acidentes;

- não houve oportunidade de intervir no caminho pedonal; a junta gostaria de o ter feito mas reconhece que não o conseguiu e agora, vindo o inverno, será melhor esperar pela próxima primavera, pois a invernia tudo pode destruir;

- pensa que a Estrada da Cavada não vai levar mais nenhuma camada de betuminoso; faltam alguns acabamentos, como entradas e acessos;

- segurança na escola: está previsto fazer um passeio em frente à escola, só de um lado; quanto às lombas nada pode adiantar mas acha que vai ser difícil (a delegada Sónia Torres insistiu para a necessidade de a junta pressionar, dado existir sério perigo de ocorrência de acidentes graves);

- explicou que a limpeza de bermas e valetas foi afectada por terem ficado, há já meses, sem uma funcionária e, neste momento, o outro funcionário estar de férias (Sónia Torres retorquiu que se uma funcionária está de baixa, então têm de contratar outro pessoal e organizarem melhor o trabalho, já que dá a impressão de que estão sempre a ser limpos os mesmos locais);

- sobre o Plano de Actividades justificou que há coisas que não dependem só da junta; a vontade de querer fazer tudo levou a que fosse apresentado um plano talvez demasiado ambicioso; serão feitos acertos mais moderados em futuros planos;

- em relação à morte dos peixes respondeu que foram solicitadas à Capitania e ao Centro de Saúde análises, mas não lhe chegaram às mãos quaisquer resultados; o que soube sobre o assunto foi pela comunicação social e em assembleia municipal; informou que a junta não se tem manifestado muito sobre esta questão uma vez que aguarda a obtenção de novos elementos, como o resultado da análise aos peixes, para então pedir ao Ministério do Ambiente uma avaliação cuidada da situação (João Arieira comentou que tinha a impressão que este assunto iria tender a ser, uma vez mais, esquecido já que, se foi falado na Assembleia Municipal, foi-o apenas porque o delegado da CDU o apresentou);

- reconheceu que, quanto à organização das assembleias, haverá algumas falhas, acrescentando que, no que diz respeito à sinalética têm de ser feitos ainda uns pequenos ajustes que, julga, não demorarão muito tempo e então sim, o assunto regressará à assembleia de freguesia;

- sobre a correcção do orçamento acha que isso foi devidamente explicado na assembleia em que esteve presente o contabilista, tendo o mesmo já procedido às devidas rectificações no pocal;

- quando se preparava para falar sobre as taxas a presidente foi interrompida pelo seu secretário, que tomou a palavra para dizer que os actos notariais estão liberalizados, pelo que não existe uma tabela, ao contrário dos actos das conservatórias onde, aí sim, há uma tabela; disse ainda que, nesse sentido, a junta não é obrigada a respeitar qualquer limite embora a assembleia possa, se assim o entender,  aprovar um preço inferior, apesar de ele achar que o que já foi votado e aprovado é justo e correcto (€ 20,00 por cada autenticação de documento).

João Arieira retorquiu que as explicações o esclareceram mas não o convenceram nem sequer quanto à legalidade da questão. Porém, acrescentou, como a maioria da assembleia aprovou a proposta da junta, agora, que cada um assuma as suas responsabilidades e aguente com as consequências.

Após a leitura, pela presidente da Junta e conforme legislação em vigor, da relação do trabalho realizado pelo executivo desde a última sessão ordinária da assembleia até ao presente, entrou-se no período destinado à intervenção do público. 

Tendo que lamentar a escassa participação de público uma vez mais registada, julgo ser interessante destacar, desta parte da ordem de trabalhos a apresentação, por Plácido Souto, em representação do GEPPAV, de uma proposta para que o 5 de Outubro fosse festejado em Vilar de Mouros de uma forma especial, embora simples, que constaria, para além do hastear da Bandeira Nacional, pela presidente da junta, de uma curta intervenção de cada um dos partidos, se assim o desejassem e, no final, uma outra intervenção, um pouco mais extensa mas também breve, do historiador Paulo Bento, em que seria destacada a importância de alguns vilarmourenses na implantação da República.

Dada a concordância de todos, ainda que informal, em relação a esta proposta, foi decidido avançar com ela, tendo mesmo já sido concretizada, com bastante interesse e participação, à data da publicação da presente mensagem.

Escreverei, em breve, uma outra nota exclusivamente dedicada à cerimónia do 100º aniversário da implantação da República.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Rio Coura – poluição

Publiquei ontem uma mensagem relativa ao temporal que, inesperada e intensamente, afectou todo o distrito de Viana do Castelo e provocou a primeira enchente do Rio Coura no pós verão 2010.

Hoje, ainda com muita corrente mas com as águas retornadas ao seu leito natural, o que se verifica?

     - continuação de enorme quantidade de troncos, galhos e ramada de árvores presos à ponte medieval (até parece existir superior quantidade que ontem mas deverá tratar-se apenas de uma maior visibilidade provocada pela descida da água, que encobria uma boa parte do material lenhoso);










  
   - o aparecimento, a jusante e nas proximidades do açude da levada, de uma imensa quantidade de espuma esbranquiçada que, tudo indica, deve ser provocada pela descarga na corrente do rio de grandes quantidades de produtos, eventualmente de limpeza, ignoro quais mas, em termos de benefícios para o meio ambiente e qualidade da água não devem acrescentar nada, antes pelo contrário.
Ora, se a primeira questão não se me afigura preocupante, basta remover a lenha, já quanto à segunda não posso dizer o mesmo. Trata-se de mais um fenómeno recorrente, que acontece com grande regularidade nos períodos de maior caudal do Rio Coura (provavelmente para que os seus impactes negativos sejam mais disfarçáveis), afectando não só este rio como o próprio Minho, onde desagua e o mar, já que ambos desembocam as suas águas na bela costa marítima com praias como, por exemplo, a de Moledo, bem junto à foz.

A problemática da poluição no Rio Coura é uma questão muito antiga e complexa, que envolve múltiplas componentes e variantes e, claro, também muitos interesses. Até por isso deveria merecer bem mais atenção das várias entidades oficiais a quem, de algum modo, compete intervir nesta área, só que, lamentavelmente, parece haver pouco ou nenhum empenho das mesmas em ir ao fundo das questões.

Fazem-se umas análises de quando em quando, dão-se umas respostas ambíguas para tranquilizar e calar as pessoas quando o impacto é mais escandaloso (como nos casos bem frequentes da morte de milhares, ou milhões, de peixes), mas fica-se sempre pela rama, culpando, em regra, a natureza, essa sim uma grande irresponsável. O que fez, até hoje, a Câmara Municipal (este como os anteriores executivos) para pressionar e obrigar quem de direito a tomar medidas adequadas no sentido de se saber, numa primeira fase, o porquê das coisas e, numa segunda, que soluções se podem encontrar?


Hoje mesmo dei conhecimento à Sra Presidente da Junta do que se está a passar. Sei que esta entidade nada pode fazer a não ser informar, denunciar, pressionar, exigir, mobilizar a população se for o caso. Se fizer isso não faz mais que a sua obrigação, mas já é muito. O Rio Coura é demasiado importante para a freguesia e para o concelho e não podemos permitir que seja votado ao abandono. As fotos que anexo foram obtidas às 13H00 da tarde de hoje, dia 4 de Outubro mas, no momento em que escrevo estas linhas, pelas 18H00, o aspecto da água continua o mesmo.

Voltarei em breve ao tema da poluição do rio, até porque a questão da morte dos peixes ocorrida a 29 de Julho parece que tende a ficar no rol do esquecimento, uma vez mais.

domingo, 3 de outubro de 2010

Outono ou Inverno?

Há bem poucos dias acabou o verão e começou o outono, no calendário, claro, já que na prática o inverno parece ter-se antecipado.

Na noite de sábado para domingo, dia 2 para 3 de Outubro e durante boa parte deste último dia, o temporal, com ventos fortíssimos (rajadas de 90 Kms/hora) e chuvas intensas assolou o norte do país, sendo Viana do Castelo um dos distritos mais atingidos, provocando estragos de vária ordem e necessidade de intervenção dos bombeiros em muitas localidades.


Vilar de Mouros não escapou à regra e aconteceu a primeira cheia da época. O Rio Coura, que ainda há bem poucos dias quase não tinha água para molhar os pés, em poucas horas galgou as suas margens, invadiu terrenos anexos e chegou mesmo a cobrir a Estrada da Ponte, obrigando ao corte do trânsito, ainda que não por muito tempo. Reparare-se no material lenhoso acumulado junto à ponte medieval, que mais não revela que o estado lastimoso das margens do rio e das próprias encostas montanhosas que o ladeiam, onde as árvores são cortadas e levadas mas não é feita uma correcta limpeza dos resíduos que não interessam.   

As fotos que junto foram tiradas quando a água já havia baixado bastante, mas as manchas deixadas nas paredes da Capela da Sra da Peneda mostram bem o nível atingido pela correnteza (clicar para aumentar).











Na Estrada Nacional 13, na vizinha freguesia de Seixas, fui impedido de passar quando, por volta das 17 horas de domingo, regressava a casa. Os bombeiros, que àquela hora procediam à limpeza da estrada, obstruída por galhos arrancados pelo vento a uma árvore de grande porte, no início da rampa que liga a Vilar de Mouros e a Lanhelas (junto à farmácia), tiveram que ocorrer a nova emergência, já que o trânsito fora subitamente cortado no cimo dessa mesma rampa pela queda de uma outra grande árvore, que ocupou a totalidade da faixa de rodagem.


Tanto quanto eu saiba não há, felizmente, vítimas a lamentar, mas o perigo rondou numa via de comunicação tão movimentada como aquela.



Junto também duas fotos do acontecido e que presenciei. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

“Nós” somos assim…

Lestos e implacáveis na crítica aos outros, mas de grande generosidade quando se trata de desculpar erros próprios. É o típico portuguesinho…felizmente com muitas e boas excepções.

Há dias, quando percorria a Estrada Nacional 301, entre Vilar de Mouros e Covas, ao passar na ponte sobre o rego de S.João, reparei no quadro que as fotografias documentam e pensei cá com os meus botões:

1 - ora aqui está um excelente exemplo do grau de civismo de alguns dos nossos queridos conterrâneos e compatriotas, neste caso, tudo indica, de um caçador;


2 – quem praticou este acto, muito provavelmente, é um dos que está sempre a acusar de tudo e mais alguma coisa o governo, os autarcas, os professores, os serviços de saúde, a justiça, os vizinhos, etc , etc. Até posso estar enganado porque nem imagino quem tenha sido, nem quero saber, mas a experiência de vida tem-me ensinado que é assim mesmo.

Trata-se, como me parece evidente, da experimentação de um ou mais cartuchos de arma de caça, em termos de capacidade de perfuração e amplitude de abertura do disparo. Tanto quanto sei (já fui, há muitos anos atrás, caçador) acho que a arma e os cartuchos ficaram aprovados em ambos os parâmetros, com distinção: a chapa metálica, de razoável espessura, foi atravessada em vários pontos e a dispersão/concentração do chumbo (se foi só um tiro e dependendo da distância) também parece boa.

Ficou demonstrado que o “desportista”, provavelmente de caça grossa, já que só zagalotes usados para este tipo de caça conseguem fazer perfurações como as que são visíveis, está de parabéns, pois tem bom equipamento.
Já não posso dizer o mesmo, infelizmente, em relação ao funcionamento da sua cabeça. Pode ter-se tratado apenas de um momento infeliz (às vezes as pessoas “passam-se”) mas que há ali qualquer coisa que não regula muito bem, há. Convenhamos que o local e o alvo foram muito mal escolhidos.!...

A "Estradas de Portugal”, que é quem coloca estes sinais, pode não ser e, na minha opinião, não é, uma entidade propriamente exemplar nos comportamentos e decisões que vem tomando em relação aos interesses das populações que a sustenta. Um bom exemplo do que digo aconteceu aquando da construção da A28/IC1, em que , como dona da obra, tinha a obrigação de exigir que a Euroscut optasse por soluções menos impactantes em termos ambientais e não o fez. A própria EN 301, sobretudo entre Vilar de Mouros e Covas, mas também mais além, encontra-se num estado de autêntico abandono, com valetas (será que existem?) entulhadas, vegetação selvagem a invadir o piso, deficiente sinalização, etc, etc, tudo isto numa Estrada Nacional estreitíssima, cheia de curvas, serpenteando e acompanhando, quase na totalidade, o Rio Coura, com precipícios de muitos metros de altura e a inexistência ou ineficácia de barreiras de protecção em quase toda a sua extensão, o que já fez com que tivessem aí ocorrido acidentes de viação gravíssimos, com mortes a lamentar.

Pelo que se ouve e lê na comunicação social a “Estradas de Portugal” está endividada até ao pescoço e é esse um dos motivos pelos quais nos querem obrigar a pagar portagens nas SCUT. Duvido é que a crise afecte os “salários” e as mordomias dos seus mais importantes gestores, mas isso é outro capítulo...da mesma história. De qualquer forma, nada justifica que andemos a “matar”, a tiro, as placas que essa empresa coloca, que não têm culpa nenhuma e, no fundo, somos nós que as pagamos.

O país atravessa sérias dificuldades, de ordem financeira sim, mas também e sobretudo, na minha opinião, de falta de valores, de educação, de respeito de uns pelos outros, de solidariedade, de civismo e de cidadania. Ora, se todos fizermos uma “forcinha” talvez não seja assim tão difícil sair do buraco. Seremos capazes? 

domingo, 26 de setembro de 2010

Desaparecimento de escultura da Sra da Assunção

Na noite de quinta para sexta-feira, 23 para 24 de Setembro, desapareceu uma escultura em granito, colocada na parte frontal da denominada Igreja Nova, nesta freguesia, por sobre a porta principal, do lado exterior do edifício. Trata-se de uma representação da Sra da Assunção, uma valiosa obra já com séculos de existência ( a igreja data de 1739) e cujo desaparecimento em muito vem empobrecer a beleza arquitectónica e artística daquela igreja.

Desconhecendo-se o paradeiro e os motivos do seu desaparecimento, supõe-se que terá sido furtada, provavelmente para ser vendida. É uma grande perda para o património cultural e religioso de Vilar de Mouros, pelo que se espera, embora não seja fácil, venha ainda a ser possível a sua recuperação.
Junto algumas fotos, umas actuais, tiradas por mim depois do desaparecimento e outras antigas, onde a escultura ainda aparece. Nelas pode observar-se também como o aspecto da igreja melhorou muito, depois das obras de beneficiação realizadas.

A última foto é um pormenor do chão que fica na perpendicular do sítio onde a obra desaparecida se encontrava. O estado em que ficou e a fotografia documenta leva a supor que, talvez o  tamanho, peso da peça e meios algo artesanais utilizados  para a removerem, fizessem com a mesma embatesse com alguma violência no piso antes de ser levada.                                                                                                            




                


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Milagre da Ressurreição

Eu, que de crente não tenho nada, sou agora obrigado a reconhecer que aconteceu um “milagre”:
- o transporte de crianças a fazer pela carrinha da Junta de Freguesia, assassinado há cerca de cinco anos, ressuscitou!
É verdade, agora, esse veículo, impedido pelo executivo camarário, em todo o anterior mandato, de realizar a importante função para a qual foi adquirido, regressou, finalmente, ao serviço. Só não felicito o santo (a) autor (a) do milagre porque foi o mesmo que cometeu o crime…mas deixo ao critério do Vaticano uma eventual canonização, ou não. Era o que faltava eu meter-me nos mistérios insondáveis da fé!

Recorde-se que esta carrinha foi comprada pelo executivo CDU de que eu fiz parte e, quando ainda nenhuma outra junta do concelho o fazia, transportou, de 2002 a 2005, as crianças vilarmourenses da escola e do jardim para casa e vice-versa. Aconselho aqueles a quem esta verdade indesmentível causa engulhos a lerem isto com cuidado porque, se se descuidam, ainda podem trincar a língua.

Embora não tenha nada a ver com o assunto informo, a título de curiosidade, os mais crentes que ainda não saibam que, pesquisando em http://pt.wikipedia.org/, irão descobrir que já existe, pelo menos, uma Santa Júlia, conforme passo a citar:
- “Santa Júlia nasceu de pais romanos nobres, de África…mas afirma-se que vivia uma vida simples e dedicada a Deus. Quando era bastante jovem, em 436 sua cidade foi conquistada pelos vândalos …Júlia foi capturada e vendida como escrava a Eusébio, um comerciante pagão sírio…”

Espero que os mal intencionados não venham encontrar aqui uma justificação para a diferença de tratamento dada aquando das visitas de Eusébio e Pinto da Costa a Caminha!...Eu até sou “lagarto”…