VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Picasso em Ferro

O vilarmourense Plácido da Silva Souto, apresentou ao público, no dia 3 de Julho corrente, no Museu Municipal de Caminha, nova colecção de obras, desta vez exclusivamente dedicada à reprodução, em ferro trabalhado e pintado, de conhecidos quadros da autoria de Pablo Picasso, de quem é confesso admirador. Não é por acaso que a exposição se intitula "Picasso em Ferro". São um total de dezanove peças que aí se encontram em exposição até ao dia 26 de Setembro.


Recorde-se que já em 2008 Plácido Souto, hoje reformado mas que exerceu durante toda a sua vida o ofício de ferreiro e serralheiro, havia apresentado um primeiro conjunto de trabalhos, alguns dos quais também inspirados em obras de Picasso, que foram expostos, com bastante sucesso, em galerias da quase totalidade dos concelhos do distrito de Viana do Castelo.
À semelhança do que já fiz nessa altura, então na qualidade de secretário da Junta de Freguesia e na página Web daquela entidade, anexo fotografias de alguns dos quadros expostos e da cerimónia de apresentação ao público composto, na sua maioria, por vilarmourenses. 



Julgo que a qualidade dos trabalhos em causa merece, sem dúvida, uma visita ao local.























sexta-feira, 2 de julho de 2010

Festas de fim de ano escolar

 Realizaram-se, nos dias 18 e 25 de Junho passado, respectivamente, as festas de fim de ano escolar dos alunos do 1º Ciclo e do Jardim de Infância de Vilar de Mouros. A primeira teve lugar no salão do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense e a segunda no Centro Escolar desta localidade, há pouco inaugurado, certamente por coincidência, no início do período da campanha eleitoral para as autarquias, pela Sra Presidente da Câmara Municipal de Caminha.
Por razões de saúde não me foi possível, como gostaria, assistir à festa dos alunos do 1º Ciclo e apenas estive presente em parte da dos alunos do Jardim de Infância. Por esse motivo é-me impossível, pelo menos para já, apresentar qualquer imagem , seja foto ou vídeo, da primeira delas, apesar de já ter pedido a várias pessoas que estiveram presentes para me cederem uma ou outra com essa finalidade. Fá-lo-ei, prometo, logo que tal se concretize.

A festa do 1º ciclo consistiu, essencialmente, na apresentação em palco de várias aprendizagens e competências dos meninos e meninas de todos os anos de escolaridade, em áreas como música, teatro e inglês. Seguiu-se a entrega aos finalistas do 4º ano das respectivas “fitas” e diplomas e tudo culminou, conforme informação do prof. Paulo Bento, que agradeço, com um “caldo verde de honra”.
A festa do Jardim de Infância constou, sobretudo, da interpretação de várias canções, encenações e dramatizações feitas pelas crianças,
individualmente, em pequenos ou grandes grupos, a que se seguiu também a entrega, aos quatro finalistas, vestidos a rigor, das fitas e diplomas em causa. A concluir foi servido a todos um lanche.
A assistência foi bastante numerosa e participativa, nos dois níveis de ensino, constituída, como é habitual nestas situações, por familiares e amigos dos alunos.
Clique na seta para ver o vídeo

Os meus parabéns a todos quantos contribuíram (docentes, auxiliares, pais e as próprias crianças) para que tivesse sido possível a concretização destas simples mas significativas festas de fim de ano escolar.


sábado, 19 de junho de 2010

Escola da Ponte - Prof. Ademar

     Soube, no dia 26 de Maio último, por informação do meu amigo Paulo Bento, que falecera o prof. Ademar Ferreira dos Santos, autor do blogue “abnoxio”, que eu visitava de quando em vez mas não com a regularidade que seria desejável, tal a qualidade do mesmo. Confesso que, no momento, não associei o seu nome à Escola da Ponte, na Vila das Aves, onde me desloquei, em visita de estudo, no dia 16 de Novembro de 2001, a convite da Sra Inspectora Vera, que acompanhou um grupo de docentes de que fazia parte eu, as professoras Fernanda Albina (vilarmourense, grande profissional e amiga, já falecida), Teresa e Educadora Isilda, tudo docentes a trabalhar em Educação Especial. Foi uma experiência muito enriquecedora em que, acompanhando ao vivo todas as actividades duma escola que adoptou um projecto pioneiro e único a nível nacional, baseado num modelo de práticas pedagógicas inovadoras, pudemos constatar como é possível instituir, com todas as vantagens, uma alternativa ao modo de funcionamento tradicional das nossas escolas.


     Na Escola da Ponte respeita-se o ritmo de aprendizagem de cada aluno, valoriza-se o seu trabalho, quer individual quer colectivo, valoriza-se a auto-aprendizagem, através da investigação e pesquisa, a auto-avaliação e a auto-estima, promove-se o espírito de entreajuda e de respeito entre todos, a vivência democrática, a participação cívica, a responsabilização de alunos e de pais na definição e aplicação das regras a seguir na escola, bem como nos direitos e deveres de cada um.

     Havendo muita documentação na Net sobre a Escola da Ponte e o Prof. Ademar, penso ser descabido alongar-me em mais considerações sobre o assunto. Para outras informações, eventuais interessados podem consultar, de entre outros, os seguintes links:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ademar_Santos



     Quando me apercebi de que o Prof. Ademar Santos era Presidente da Direcção da Escola da Ponte (foi-o, penso, de 2001 a 2006) aquando da nossa visita de estudo, lembrei-me também de ter realizado algumas filmagens nesse dia. Penitenciando-me por não o ter feito antes, pois era esse o meu dever, consegui, ainda assim, recuperar uma boa parte dessa gravação, da qual fiz dois pequenos vídeos: um, um pouco mais extenso, para entregar à família do Prof. Ademar, escola e docentes que me acompanharam nessa visita e outro, um resumo, para colocar neste meu blogue.



     Pretendo, deste modo, prestar a minha modestíssima homenagem à memória de duas pessoas que aparecem no vídeo e já nos deixaram, ambas bem novas: Ademar Ferreira dos Santos, professor, jornalista, escritor e, sobretudo, um GRANDE HOMEM e Fernanda Albina Porto, minha conterrânea, colega e grande amiga.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A propósito de um internamento

Pela primeira vez na minha vida tive de ser internado num hospital. Foram doze dias difíceis, de 2 a 14 de Junho, passados, como costumo dizer por brincadeira, no hotel de Santa Luzia, em Viana do Castelo, com uma bela vista para a cidade e para o mar (não da minha enfermaria, por azar meu). Não foi propriamente agradável, como nunca o é estar em internamento num centro hospitalar, por muito bom que ele seja mas, como em tudo na vida, há que saber aproveitar o lado positivo das coisas.
                                                                                                                  
Isso enriquece-nos, faz-nos mais fortes psicologicamente, ajuda-nos a valorizar os pequenos nadas que compõem a nossa tão frágil e breve existência e que, por serem rotineiros e vulgares, quando estamos bem, acabámos por desprezar. No hospital, pelo sofrimento próprio e observação do alheio, depressa nos apercebemos de quanto pode ser bom, simplesmente, ter saúde.

O importante na vida não é tanto ter muitas coisas, ostentação e opulência, como a sociedade de consumo nos quer, a todo o custo, fazer crer, mas antes sermos capazes de ser felizes com aquilo que temos. Claro que isto nunca deverá ser entendido, antes pelo contrário, como a falta de reconhecimento do direito que cada um de nós tem de lutar por melhores e mais justas condições de vida. O que a mim e, julgo, a todo o ser humano digno desse nome repugna e revolta é que a ganância de alguns faça com que muitos não possam ter o mínimo, sequer, para subsistir condignamente.

Mas nem foi essa a motivação que me levou a escrever e a publicar este curto texto. Foi antes o facto de, tendo eu sido internado num hospital público (Centro Hospitalar do Alto Minho – EPE), a convicção que sempre tive de que os males deste país não passam, nem de perto nem de longe, pela tão apregoada inoperância do sector e funcionalismo públicos, ter saído fortemente reforçada. Por favor, olhem lá para cima porque é aí que estão os verdadeiros culpados da situação a que o país chegou e não cá para baixo onde a grande maioria da “plebe” trabalhadora, em muitos casos com emprego instável e remunerações baixíssimas, fazem das tripas coração para responder às múltiplas solicitações que lhe são exigidas.

Por tudo quanto me apercebi, quer em relação ao meu caso pessoal quer em relação aos meus companheiros de internamento, só posso dizer bem de toda a equipa de saúde que trabalha no piso seis, Medicina um, do Hospital de Viana do Castelo. Nas pessoas do Sr. Dr. Carlos Ribeiro, Director do Departamento Médico e que acompanhou todo o meu processo clínico, do Sr. Enfermeiro-chefe, António Vintém e da Sra. Enfermeira Lurdes Araújo, que foram aqueles que mais de perto me seguiram, quero aqui deixar bem expresso o meu agradecimento e reconhecimento públicos a todos quantos, e muitos foram, desde médicos a enfermeiros e auxiliares, fizeram com que a minha passagem por aquele estabelecimento fosse o mais agradável (ou o menos desagradável…) possível.
  Pena é que as condições de trabalho proporcionadas a estes profissionais não sejam as melhores, quer em termos de recursos humanos quer materiais. Embora eu admita toda a minha ignorância em questões de saúde, parece-me exageradamente escasso, por exemplo, o número de enfermeiros, dois, a trabalhar no período nocturno para atender, salvo erro, 34 camas, muitas delas com doentes bem problemáticos. Isto para não falar em falhas de “pormenor” incríveis como, por exemplo, a insuficiência de almofadas para todos e de produtos tão banais como o betadine. Mas pronto…não se pode ter tudo! Primeiro estão os grandes “desígnios” nacionais, como a construção de estádios, do TGV, a aquisição de submarinos, de caças bombardeiros, etc, etc. Só uma sugestão: que tal ser posta à votação na Assembleia da República (ou fazer um referendo...) uma lei interditando o recurso a hospitais particulares e a deslocação ao estrangeiro, por motivos de saúde, a políticos e detentores de cargos públicos?...Era capaz de ser interessante!



A concluir não posso deixar de agradecer também a todos os meus familiares e amigos que, pessoal e telefonicamente, sempre foram seguindo de perto a minha recuperação. Aos meus companheiros de enfermaria, dois dos quais aparecem nas fotos que anexo (Sr Maximino, de Lapela, Monção, acompanhado de sua filha Sra Sameiro, na 2ª foto; Sr. Manuel Roleira, das Cortes, V.N.Cerveira, sendo barbeado pela sua esposa, na 3ª) , os meus sinceros desejos da melhor e mais rápida recuperação possível.


Pena também que os dois mais assíduos visitantes que tive, o João Arieira e a minha filha Isabel não apareçam nas fotos…não calhou…mas aqui fica o registo. Obrigado a todos.




sábado, 29 de maio de 2010

LUSÍADAS RECICLADOS


Pois é, o incrível aconteceu! Há dias tive um sonho (nos sonhos tudo é possível, como sabem…) em que, estando eu a esforçar-me por chegar ao fundo do quinto copo de ginja, sozinho, numa tasca alfacinha, a ver se afogava a crise no alambique do meu estômago ou, no mínimo, a esquecia através da anestesia dos meus neurónios, entra um estranho personagem, vestido à moda do século XVI e com o olho direito à belenenses. Pensando que estava com visões devido ao excesso de álcool, ia a levantar-me quando esse desconhecido, educadamente, me perguntou se podia sentar-se um pouco à minha mesa. Consenti, sentou-se, olhou-me fixamente e disparou:
- Vives da política ou posso confiar em ti?
Só então reparei bem na cara dele. Não me era estranha de todo. Hesitante, respondi-lhe:
- Não, nunca vivi da política…nem precisei dos "políticos" para me "safar" na vida...mas quem és tu e porque estás vestido assim?
- Conheces? – perguntou, entregando-me um velho exemplar de um volumoso livro.


- Claro – respondi-lhe – são os Lusíadas, o maior poema épico de Portugal.

- Então, e não me reconheces?

- Não, não pode ser…tu não és….o Luis de Camões?! – questionei, estupefacto!

- Pois é, sou eu próprio e agora escuta-me com atenção que tenho de regressar aos Jerónimos antes que o guarda dê pela minha falta e me ponha de faxina aos sanitários: o belo livro que compus está hoje de tal modo desactualizado que quase sinto vergonha de o ter escrito. Nem imaginas as voltas que tenho dado no túmulo quando ouço as notícias sobre o que se passa no país que eu tanto amei e enalteci nos Lusíadas. Estou dorido, tenho a cabeça a andar à roda de tantas voltas dar e sinto-me revoltado. Por favor, ajuda-me a sair deste inferno e adequa os meus textos à vil tristeza que domina, hoje, a nossa pátria!

- Mas como, Luís?... eu não sou poeta, não me atrevo?!!! – tentei desculpar-me.

- Não tenhas receio! Senta-te nas margens do rio mais próximo da tua casa, concentra-te e aguarda a inspiração das musas. Eu estarei contigo através delas.

Tal como entrou, saiu, sem se despedir e mais não o vi.

Quando despertei, embora algo descrente, não resisti à tentação de experimentar o que me fora pedido. Corri a sentar-me junto à margem do Rio Coura, fechei os olhos, apelei às suas musas e, qual não é o meu espanto quando oiço, ao longe, em coro e quase sussurrando, vozes celestiais dizendo:

I

               As sarnas de barões todos inchados
               Eleitos pela plebe lusitana
               Que agora se encontram instalados
               Fazendo aquilo que lhes dá na gana
               Nos seus poleiros bem engalanados,
               Mais do que permite a decência humana,
               Olvidam-se de quanto proclamaram
               Em campanhas com que nos enganaram!

II

               E também as jogadas habilidosas
               Daqueles tais que foram dilatando
               Contas bancárias ignominiosas,
               Do Minho ao Algarve tudo devastando,
               Guardam para si as coisas valiosas…
               Desprezam quem de fome vai chorando!
               Gritando levarei, se tiver arte,
               Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

               Falem da crise grega todo o ano!
               E das aflições que à Europa deram;
               Calem-se aqueles que por engano…
               Votaram no refugo que elegeram!
               Que a mim mete-me nojo o peito ufano
               De crápulas que só enriqueceram
               Com a prática de trafulhice tanta
               Que andarem à solta é que me espanta.

IV

               E vós, ninfas do Coura onde eu nado
               Por quem sempre senti carinho ardente
               Não me deixeis agora abandonado
               E concedei engenho à minha mente,
               De modo a que possa, convosco ao lado,
               Desmascarar de forma eloquente
               Aqueles que já trazem, no seu gene,
               A besta horrível do poder perene!

     As minhas desculpas, caro Luís, se te entendi mal.

sábado, 22 de maio de 2010

Sinalização de trânsito

Denunciei neste blogue, no dia dez passado, três “pequenas grandes coisas” que se arrastam há muito tempo e que deveriam merecer a atenção de quem de direito para a sua resolução, até por se tratar de questões menores em termos de gastos financeiros: um buraco traiçoeiro na Estrada Municipal do Funchal, a mudança de dois postes da EDP em curva apertada e perigosa da Estrada Municipal da Ponte e a substituição ou, no mínimo, a reparação de um sinal de Stop degradado existente no cimo dessa mesma estrada.

Fiquei, em parte, satisfeito porque, por coincidência ou não, poucos dias depois o sinal de Stop tinha um aspecto já aceitável, como a foto que anexo documenta.

No entanto, volto a insistir: na minha modesta opinião, o que aí deveria ser colocado era um sinal de “estrada com prioridade” (foto) em vez do Stop. Porquê? Porque sendo a visibilidade, nesse local, bastante boa, evitaria que todos os veículos sejam obrigados a parar no final de uma subida com forte inclinação, o que seria de toda a vantagem, sobretudo para os pesados. Tratar-se-á apenas de coincidência que vários sinais de Stop aí colocados venham sendo arrancados ou danificados nos últimos anos? Duvido e garanto que não fui eu!
Já agora, de entre outras inúmeras situações de ausência ou deficiência de sinalização que se arrastam há décadas em Vilar de Mouros (como em muitas outras freguesias, certamente), gostaria de destacar, por me parecer a mais grave, a questão do Largo da Torre.

Neste momento estão aí colocados três sinais: um de rotunda, situado na parte inferior do jardim (foto), outro de sentido proibido na parte superior do mesmo (foto abaixo), impedindo a circulação pela esquerda para quem vem da Estrada do Funchal ou de Marinhas e outro de perigo por aproximação de escola. Como todos sabem não existe qualquer escola nesse lugar há muitos meses, mas não é esse o motivo que me leva a escrever estas notas.

A razão primeira e não sendo eu um especialista em questões de trânsito, é a seguinte: se acontece aí um acidente, pode surgir, em mais que uma situação, um imbróglio complicado, em que ninguém (?) é culpado!


Se não, vejamos: um choque entre um veículo que vem do caminho do Corredor das Eiras (foto abaixo) e outro que circula na “rotunda”. Como não há qualquer sinal à saída deste caminho funciona a regra da prioridade da direita. Ora, vindo da esquerda o que contorna a “rotunda”, ambos cumprem as regras de trânsito...ou não? Então, de quem é a culpa? E pode acontecer algo de semelhante para os que provêm das estradas de Marinhas e do Funchal (fotos), onde não existe também qualquer sinalização!...

Por outro lado, também não é nada claro onde fica, de facto, a rotunda, uma vez que na realidade há duas rotundas ou, se preferirmos, uma rotunda subdividida.
Assim, parece-me sensata e aconselhável a retirada do sinal de rotunda, a sua substituição por um sinal de sentido obrigatório e a colocação de novos sinais nas estradas e caminhos que dão acesso ao largo, antes que aconteça uma eventual responsabilização da autarquia por qualquer acidente que aí possa ocorrer.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Rio Coura 2010

No verão de 2009 e na sequência de uma exposição enviada a várias entidades por iniciativa da Junta de Freguesia de então, documentada por cerca de sete dezenas de fotografias demonstrativas do estado de completa inavegabilidade em vários troços do Rio Coura, na zona das denominadas veigas de Vilar de Mouros, acabou por ser executada uma acção de limpeza, desde a Ponte Medieval até Caminha, durante uma semana, por mergulhadores disponibilizados pela Marinha auxiliados por um madeireiro pago pela Câmara Municipal.
A esta acção juntou-se uma outra, essa sim, da exclusiva responsabilidade da junta, sem qualquer apoio de mais nenhuma entidade, se exceptuarmos a colaboração de quem superintende na abertura das águas da barragem de France que, simpaticamente, se prontificou a coordenar o caudal da corrente do rio de modo a facilitar ao máximo a limpeza. Foram três sábados de trabalho intenso, a que chamámos Jornadas Ambientais, só possível pela colaboração de muitos voluntários locais, sobretudo jovens, que limparam, com entusiasmo e eficácia, o leito do rio e margens desde a Ponte até às Azenhas.

Limpeza feita por voluntários - Junho e Julho 2009



Já a limpeza realizada a jusante da ponte teria de ser, pela escassez de tempo, dimensão da área abrangida e complexidade da situação, um simples remedeio, como de facto foi, melhorando, é certo, a navegabilidade, durante algum tempo, mas adiando uma solução que tem de ser de fundo e não apenas paliativa.
Assim, não surpreende que, de mais a mais com um inverno rigoroso como o último, a situação voltasse a ficar no estado que o pequeno vídeo e as fotografias que anexo, obtidos a partir das margens do rio, nas zonas onde é possível a aproximação às mesmas, bem demonstram.

Rio em Maio de 2010   


Parece-me profundamente lamentável que o Rio Coura, recurso hídrico de extraordinária importância, com toda a sua história, beleza natural e consequente potencial inesgotável de atracção turística e desenvolvimento de toda a região, só seja lembrado para produção de energia eléctrica e captação de água para distribuição em rede. Pode ser necessário e útil mas é muito pouco.

O seu leito e suas margens encontram-se praticamente votadas ao abandono há muitos anos, sobretudo a partir do momento em que os férteis terrenos anexos deixaram de ser regularmente cultivados. Árvores de grande porte, muitas delas eucaliptos, acompanhadas de vegetação selvagem espontânea, onde predominam as silvas, impossibilitando a aproximação, em vários locais, à beirada do rio, são a flora dominante nos terrenos frágeis, de domínio público hídrico, que delimitam o serpentear do seu curso.


Tem de ser pensada e posta em prática uma requalificação global de toda a extensão do rio e suas margens, em Vilar de Mouros, a montante e a jusante.

Fica aqui o apelo a todas as entidades que, de algum modo, superintendem e têm responsabilidades nesta área para, em articulação e colaboração, fazerem aquilo que, na minha opinião, já deveria ter sido ou, pelo menos, começado a ser feito, há muito tempo. Não se trata de um processo que possa ser concretizado numa semana, num mês ou mesmo num ano.

Levará, seguramente, vários anos, mas há que iniciá-lo e o mais depressa possível. Custa-me a aceitar que estejamos sempre a querer muitas coisas novas, certamente com legitimidade mas, quantas vezes, à custa de verbas elevadíssimas e duvidosa utilidade e desprezemos aquilo que já temos de tão bom, oferecido pela natureza.