VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pesca ao meixão no Rio Minho

O Rio Minho, curso de água que faz fronteira, numa extensão aproximada de setenta e cinco quilómetros, entre Portugal e Espanha, desde Cevide, localidade mais a norte do nosso país, na freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço, até Caminha, onde desagua no mar, junto ao forte da Ínsua, é bem conhecido, para além da deslumbrante beleza das suas paisagens, pela abundância e qualidade ímpar das múltiplas espécies piscícolas das suas águas, de que destaco o salmão, o sável, a truta, a solha, o robalo, o meixão e a lampreia. Não estranha, assim, que haja muitos pescadores, de ambas as margens do rio que, nas épocas próprias, normalmente de inverno, se lancem nas suas frágeis embarcações, às horas mais indicadas em função das marés, em busca do sustento ou de um complemento do sustento familiar. Parece ser uma faina rentável, quando corre bem e a sorte ajuda, mas é seguramente dura e mesmo perigosa, sobretudo à noite,
muito em especial quando o estado da água e as condições climatéricas não são as melhores. As várias  tragédias ocorridas nesse local comprovam, infelizmente, isso mesmo.
As fotos que junto foram tiradas do topo norte do areal da praia do Camarido, em Caminha, no dia 17 de Fevereiro último, ao escurecer, as primeiras ainda com bastante luz e as últimas quase de noite, quando os pescadores do meixão começavam a chegar e a estender as suas redes. Note-se que este rio é o único, em Portugal, onde a pesca a esta espécie ainda é permitida. Céu limpo, barra em tons avermelhados, indiciadora de bom tempo e a quase ausência de vento eram a garantia, em princípio, de uma jornada de pesca tranquila mas, em contrapartida, o termómetro deve ter baixado dos zero graus…brrrrrrrr! Eu e o meu companheiro de expedição, o professor Paulo Bento, estivemos junto à água cerca de 40 minutos e já saímos em passo acelerado...   imagino os pescadores que por aí
permaneceram uma boa parte da noite! Assim, é a eles e, muito em especial, ao Rui Fernandes, professor/pescador que também por lá andava e que me deu indicações preciosas sobre o melhor local e altura para as obter, que dedico as fotos que apresento (clicar para aumentar). 
Espero que gostem…e continuação de boas pescas.   

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DO COURA SE FEZ LUZ


Novo livro de
Paulo Torres Bento


Paulo Nuno Torres Bento fez a apresentação pública de mais uma     obra sua, desta feita “Do Coura se fez luz – Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906 – 1960), uma edição da Afrontamento e do Caminha2000, de Luis Almeida, apoiada pela Fundação EDP, através do seu programa mecenático “Livros com Energia”. O lançamento aconteceu no passado sábado, dia quatro de Fevereiro, pelas dezassete horas, no Hotel Porta do Sol, em Caminha, com a presença de muitas pessoas, nomeadamente da família Lourenço da Cunha, fundadora da “Hidroelétrica do Coura” e de ex-trabalhadores dessa empresa e da EDP. A data escolhida para este evento também não foi ao acaso, já que assinala a passagem do
 primeiro centenário da inauguração da iluminação pública elétrica da vila de Caminha. Conforme o autor escreve na Introdução do seu livro, e passo a citar, “No dia 2 de fevereiro de 2012 cumprem-se cem anos da iluminação pública elétrica da vila de Caminha, a primeira localidade do Alto Minho, e uma das primeiras no país, a beneficiar das vantagens da hidroeletricidade. Deveu-o às generosas águas do rio Coura e ao engenho da Hidroelétrica do Coura, uma empresa familiar fundada por caminhenses que, nos anos seguintes, a partir da Central de Covas, levou a “luz do progresso”... a Viana do Castelo (1915), Vila Nova de Cerveira (1920), Ponte de Lima (1923) e, mais tarde, Paredes de Coura (1937). Um empreendimento
arrojado e pioneiro que assumiu a bandeira da hidroeletricidade e fez a guerra contra os outros sistemas de iluminação pública existentes na região, como o petróleo, o gás de carvão e o acetileno”.
Não me tendo sido possível, de todo, estar presente, como bem gostaria, nesta sessão pública para a qual fui pessoalmente convidado, resta-me agradecer à Edições Afrontamento e ao Jornal Digital Caminha@2000 esse mesmo convite, bem como ao professor António Garrido, bom amigo e colega, por ter disponibilizado as fotos que junto e que são da sua autoria.

Quanto ao autor, de quem sou, desde há escassos meses e com muito gosto, companheiro de trabalho no GEPPAV - Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmouren- se, acho que exagerou nos louvores quando, na pág. sete do livro e referindo-se à minha “contribuição” para a obra em causa, escreveu que  “Basílio Barrocas - …deu algum do seu suor e…sangue num certo percurso acidentado…”. O que deveria ter escrito, com bem mais rigor histórico, é que eu, por aselhice e falta de treino em práticas de alpinismo, dei um trambolhão estúpido, esfolei uma perna e fiz com que tivessem de me levar às urgências, quando procurávamos, os dois, com o apoio à distância do António Lages (Totas)
  as fundações das comportas da antiga barragem de Covas! Enfim, um pequeno lapso até o maior historiador comete…
Voltando ao sério, tenho de felicitar o Paulo Bento por este novo e importante trabalho, que vem acrescentar ainda mais valor a um já vasto conjunto de obras que publicou, que em muito contribuem para a salvaguarda e divulgação da história e da cultura, não só de Vilar de Mouros como do concelho de Caminha, do Alto Minho e do próprio país.
Assim, é autor de: Currículo e Educação para a Cidadania (2000),  José Porto (1883-1965). Desvendando o Arquitecto de Vilar de Mouros (2003), Flausino Torres (1906-1974). Fragmentos e Documentos Biográficos de um Intelectual Antifascista (2006),
 Ruas de Caminha. Toponímia e História da Vila da Foz do Minho (2009), Da Monarquia à República no Concelho de Caminha (2010);
É ainda co-autor de: Desenvolvimento Pessoal e Social e Democracia na Escola (1993), Ferreiros e Serralheiros de Vilar de Mouros (2008), Dos Caiadores aos Estucadores e Maquetistas Vilarmourenses (2009) e Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense (2011).
Mas Paulo Bento não se limita a pesquisar, estudar, organizar, salvaguardar e publicar factos que, não fora ele, bem se poderiam apagar para sempre da memória colectiva da sociedade. Não, ele intervém também, e de
que maneira, na realidade social e cultural em que está inserido.

 Licenciado em História pela Universidade do Porto e Mestre em Educação pela Universidade do Minho, nascido em Tondela em 1962, fixou residência em Vilar de Mouros a partir de 1995. Em boa hora o fez, para bem desta freguesia e do próprio concelho de Caminha. De facto, este professor em exercício na EB 2,3/Secundária de Caminha, vem demonstrando, ao longo destes cerca de dezasseis anos, uma atenção, uma preocupação e uma capacidade de intervenção ímpares nas mais diversas vertentes da vida comunitária local. Apaixonado pela história, pela cultura e pela escrita,
  é natural que o seu centro de interesses preferido ande à volta desses temas. O GEPPAV, de que é fundador, que há dias celebrou o seu oitavo aniversário e que tem já um valiosíssimo trabalho realizado, incluindo a publicação das três últimas obras que mencionei, como co-autor, na relação de livros seus, nunca teria, parece-me evidente, e sem qualquer desprimor para a também decisiva contribuição dos restantes membros, chegado a existir, não fora o seu entusiástico empenho pessoal.  Mas, é curioso, nem sequer foi a faceta de historiador que deu a conhecer, de início, Paulo Bento aos vilarmourenses e a mim próprio. Isso aconteceu, sobretudo, em 2002, no desencadear do conturbado processo de contestação ao traçado do IC1, depois A/28, em que se assumiu como um acérrimo lutador e defensor do património ambiental e paisagístico da freguesia, aceitando ser porta-voz da comissão de
 moradores que para o efeito se formou, acabando até, mais tarde, por ser um dos cinco arguidos que tiveram de se sentar no banco dos réus, na sequência da participação da presidente da câmara à GNR, tentando, sem o conseguir, impedir a realização de uma pacífica manifestação cívica de protesto na marginal de Caminha, em Agosto de 2003. A sentença, proferida apenas em 2006, não só ilibou todos de qualquer condenação, como criticou fortemente a actuação da presidente da câmara… só que, entretanto, haviam passado cerca de três anos…com termo de identidade e residência fixa. O abuso do poder, neste
país, costuma compensar.

A outro nível e ainda como membro do GEPPAV, sendo este grupo uma secção autónoma do CIRV – Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, vem desempenhando um importante papel no esforço, que parece, infelizmente, condenado ao fracasso, de manter acesa a cada vez mais ténue chama do associativismo. Recordo que, em 2011, a direção do CIRV nem sequer conseguiu levar à cena o tradicional espetáculo de teatro na época natalícia, e já em 2010, ano em que se comemorou o 75º aniversário da coletividade, isso só foi possível devido a uma intervenção
 empenhadíssima do próprio GEPPAV, com a inestimável ajuda do professor / encenador Fernando Borlido.
Homem com fortes convicções de esquerda, dificilmente iria resistir, no actual contexto político concelhio, ao apelo que lhe foi dirigido para dar a cara por um partido que, a nível local, defendesse os princípios e os valores democráticos de equidade, seriedade e de justiça em que acredita, em contraponto com um poder dominante instalado, onde a força faz, quantas vezes, tábua rasa da razão. Foi o que fez, nas últimas eleições autárquicas,   apresentando-se ao eleitorado como cabeça de lista à Assembleia Municipal pelo Bloco de Esquerda, tendo sido o primeiro, e único até hoje, eleito por aquele partido em Caminha. As suas intervenções, frequentes e assertivas, embora incómodas e mesmo contundentes,
  por vezes, sobretudo para quem lidera o executivo, são respeitadas até por muitos daqueles que com elas não concordam ou, quem sabe, nem sequer poderão admitir que concordam…
Como tudo poderia ser diferente se houvesse, sobretudo nos denominados partidos da área do poder, muitas pessoas como o Paulo Bento!...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Afinal, as "gorduras" estão nas freguesias...

Começarei por dizer que, não sendo costume, neste blogue, o abordar de questões relacionadas com iniciativas partidárias, abrirei uma excepção para este caso por se tratar de uma acção que, embora organizada pelo Bloco de Esquerda, foi aberta a todos os partidos e, mais importante ainda, abordou um tema sobre o qual, estranhamente, (ou não…) há pouquíssima informação pública e, segundo tudo indica, poderão vir a ser tomadas decisões governamentais, a bem curto prazo, que se configuram de extrema complexidade e suscitam fortes motivos de preocupação. 
 Assim e passando aos factos, realizou-se sábado, dia 28 de Janeiro, com início às 15 horas, no Auditório do Museu Municipal de Caminha e organizado pelo núcleo concelhio do BE, um debate subordinado ao tema “Que futuro para as nossas freguesias?”. Esta iniciativa, especialmente dirigida a todos os eleitos para os diversos órgãos autárquicos do concelho e aberta à população em geral, teve na mesa, como moderador, o líder local do Bloco, Carlos da Torre e como oradores Pedro Soares, professor universitário e ex-deputado do mesmo partido pelo ciclo eleitoral de Braga e Rui Fernandes, actual presidente da junta de freguesia de Lanhelas, como independente. Na assistência, como se pode constatar pelas
fotos que junto, um razoável número de pessoas e mais seis presidentes de junta das freguesias de Orbacém, Azevedo, Riba de Âncora, Moledo, Argela e Vilar de Mouros, o que perfaz um total de três do PS e três do PSD. Sei que todos os partidos foram, através dos seus representantes eleitos, contactados e convidados pela organização, mas apenas o Partido Socialista, pelo menos oficialmente, se terá feito representar, para além dos já referidos presidentes de junta. Se no que à estrutura concelhia do PSD diz respeito isso em nada me surpreende, já me parece estranho e de lamentar a ausência de qualquer eleito da CDU.
O documento publicado pelo governo para discussão pública, até ao
final do mês de Janeiro, no âmbito do processo de reorganização administrativa, mas que pouco ou nada tem sido discutido, nem pelas assembleias de freguesia, nem pela assembleia municipal, o denominado Livro Verde, que preconiza a extinção de cerca de 1400 freguesias a nível nacional e de mais de metade das do concelho de Caminha, foi o motivo, conforme explicou Carlos da Torre, para a necessidade de realização deste encontro nesta altura.
De facto, a preocupação é grande. Basta reparar que a própria assembleia municipal aprovou já, com o apoio de todos (coisa rara neste concelho, nos tempos que correm…) duas moções rejeitando as propostas constantes do documento em análise, uma apresentada
pela CDU e outra pelos presidentes de junta, na sequência do congresso da Anafre.
Também neste encontro / debate, em que estiveram presentes e intervieram representantes ou simpatizantes de todas as forças políticas do concelho, não houve uma única voz discordante quanto à rejeição generalizada do conteúdo dessas mesmas propostas.
Não pretendendo, como é evidente, apresentar aqui, nem sequer uma pequena síntese do teor de um debate ou, se quisermos, de uma conversa informal que durou cerca de duas horas e que visou, sobretudo, o esclarecimento e o alerta para um problema que pode
vir a ser de extrema complexidade e gravidade se as pessoas não estiverem informadas e precavidas para lhe fazer frente atempadamente, julgo interessante destacar o que me pareceu ser o essencial das ideias mestras a reter e que mereceram o apoio consensual dos presentes:
- a rejeição liminar dos critérios constantes do Livro Verde, pelo menos no que à obrigatoriedade de junção de freguesias, para reduzir ao seu número, diz respeito, sem que haja o acordo prévio e expresso, não só das respectivas assembleias eleitas, como da população em geral;
- ser de toda a vantagem, não a redução das freguesias, até por
motivos de ordem histórica e cultural, mas também pela importante prestação de serviços de proximidade que as suas juntas vêm fazendo, quantas vezes fora das horas de normal funcionamento, sobretudo a pessoas mais carenciadas e, muito em especial, nesta época de crise, mas antes proporcionar-lhes melhores condições de trabalho, nomeadamente através do reforço das suas competências e orçamentos, que são insignificantes;

- Parecendo intenção do governo, talvez pela grande resistência de que se vai apercebendo em todo o país, suavizar um pouco alguns aspectos do, para já, único documento que se conhece e pode ser discutido e analisado, sacudir a responsabilidade da sua aprovação final para as assembleias municipais e de freguesia, é de grande importância manter a união e a solidariedade de todos, mesmo daqueles que, face a eventuais “benesses” governativas de última hora, prováveis até como forma de atenuar resistências e de provocar divisões, possam vir a ter o seu problema particular resolvido.
Dos quadros que também fotografei e apresento consta o mapa actual das freguesias de Caminha (F 1), as que deixariam de existir, onze, (F 2) e as que se manteriam, nove (sendo, no entanto, obrigadas a agrupar as restantes) (F 3), se os critérios constantes do Livro Verde fossem aplicados à letra.
    Brincando um pouco com esta obrigatoriedade de casamentos, ou
uniões de facto, contra a vontade dos noivos, são apresentados outros quadros sugerindo nomes para as novas freguesias a constituir (F 4). Apetece-me dizer que, neste momento, isto até tem a sua piada e pode ser motivo de galhofa mas, se as intenções governamentais fossem levadas por diante, a graça desapareceria por completo. Não me estou a ver a residir em Mouragela, Lanhemouros, ou coisa que o valha!
Não gozem connosco e vejam onde é mesmo urgente começar por cortar nas “gorduras” tão badaladas pelo nosso primeiro ministro. Não é nas freguesias, de certeza, pois, como é sabido, recebem uma miséria do bolo orçamental do estado, cerca de 0,13 %, para todas as mais de quatro mil e duzentas existentes no país.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mais um...

Os meus receios confirmam-se. Tendo referido, na minha mensagem anterior a ocorrência de dois muito graves acidentes na EN 13, em Seixas, no curto espaço de onze dias, entre 11 e 22 de Dezembro, e alertado para a perigosidade daqueles locais e a forte probabilidade de que novos acidentes aí pudessem vir a acontecer, a realidade aí está, infelizmente, a dar-me razão.

Hoje mesmo, precisamente no local do ocorrido no dia 22 de Dezembro, sensivelmente à mesma hora, pelas três da tarde, e em tudo semelhante ao anterior, mais um acidente a lamentar: um ligeiro que seguia atrás, no sentido Caminha / Valença, não parou a tempo e embateu, junto aos semáforos, na traseira do que ia à sua frente. Para além dos factores a que já aludi na minha última mensagem, não sei até que ponto a perigosidade do local não terá também a ver, até pela coincidência da hora, com a posição do sol, cuja luz, ao refletir-se nos sinais luminosos, poderá também induzir os automobilistas em erro. Por sorte, e ainda bem, o choque não foi, desta vez, muito violento e haverá a registar, segundo
 informações, apenas danos materiais nos dois veículos envolvidos.

Ainda cheguei a ver os dois carros no sítio em que ficaram após o embate mas, quando pude registar as fotos que junto, já haviam sido retirados estando os bombeiros de Caminha a proceder à limpeza da via, com o auxílio de duas viaturas.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

As armadilhas funcionam

Na Estrada Nacional 13, em Seixas, no curto espaço de onze dias, aconteceram dois graves acidentes de viação. Do primeiro, a 11 de Dezembro, há a lamentar a morte trágica de um grande vilarmourense, meu bom amigo e familiar, o Manuel Costa; do segundo, ocorrido a 22 do mesmo mês, sei que, pelo menos uma pessoa foi transportada no carro do INEM para o hospital, desconhecendo-se a gravidade do seu estado e há ainda a registar avultados danos materiais em dois veículos.

Bom, é verdade que estas coisas acontecem e Seixas tem sido
 palco, desde há vários anos, de múltiplos acidentes, envolvendo a morte de várias pessoas. Só que estes dois últimos, quanto a mim devem-se, se não na totalidade pelo menos em grande parte, sobretudo o primeiro deles, a autênticas armadilhas de trânsito aí existentes. Explicando melhor:

1 - O acidente mortal do dia 11, embora não havendo testemunhas, pelo menos que se saiba, só tem uma explicação lógica: o motociclista, já de noite e com má visibilidade devido à queda de uma chuva miudinha, terá sido levado ao engano pela inexistência de qualquer sinalização a indicar uma extensa zona de
 estacionamento há tempos criada entre o Largo de S. Bento e o cemitério de Seixas, do lado direito da via, no sentido norte / sul. Assim, encostando à direita, como mandam as regras de trânsito, só se terá apercebido do logro quando lhe surgiu pela frente o passeio que põe fim, abruptamente, a essa área. Já era tarde e, embatendo aí com, pelo menos, uma das rodas, que ficou muito danificada, perdeu o equilíbrio e caiu uns metros mais à frente, desamparado, em plena via. Uma das fotos que junto, assinalada com o número 3, é bem demonstrativa da inexistência de sinalização adequada no local e de como é fácil confundir-se o espaço para parqueamento com uma outra faixa de rodagem. Nessa foto como nas  numeradas com 1 e 2 pode ver-se, e está assinalado com setas, a pedra do passeio
 lascada em mais que um sítio, resultado deste e de outros acidentes que, garantiram-me, já aí ocorreram antes, embora de bem menor gravidade.

2 – A colisão do dia 22 aconteceu no lugar denominado Alto da Veiga, a escassas centenas de metros, nos semáforos que foram colocados no entroncamento da EN 13 com a Estrada de Marinhas e a Rua das Pedras Ruivas. Foi um choque com alguma violência, tendo o veículo maior, um jeep, abalroado o que estava à sua frente, destruindo-lhe a parte traseira. Quando
 passei, por acaso, no local, estavam a colocar alguém, que posteriormente foi transportado na ambulância do INEM para o hospital, numa maca. Mais não sei, espero que não tenha sido nada de grave, mas o que me interessa aqui é comentar a inoportunidade da colocação daqueles semáforos. É que, tal como estão, e esta opinião não é só minha mas de muitos utentes da via, acho que seria, por várias razões, bem mais sensato deixar estar como estava. Assim:

a) O fluxo de trânsito nesse local é incomensuravelmente superior na EN 13, o que leva a que se formem frequentes e longas filas de automóveis nessa via, sobretudo em períodos de maior afluência de
 tráfego, enquanto fica verde, alternadamente, na Estrada de Marinhas ou na Rua das Pedras Ruivas, mesmo sem que haja carros daí provenientes; é quase impossível passar, hoje, nesse ponto, sem ter de se parar, o que era excepcional anteriormente;

b) A localização dos semáforos fica muito próxima de uma curva que os antecede, no sentido Caminha / Seixas e, embora exista sinalética a obrigar à redução de velocidade, primeiro para 70 Km/h, depois para 50 e 40, acontece que, por vezes, os últimos carros das filas formadas surgem aos olhos do condutor de repente e em plena curva, “em cima” desses sinais, bastando uma pequena distracção para que possam acontecer acidentes de consequências
 imprevisíveis, até porque a recta que precede a dita curva convida a alguma velocidade. Aliás, segundo informações, já houve outros acidentes nesse local depois da, ainda recente, colocação dos semáforos, o que deveria fazer reflectir quem de direito, antes que haja a lamentar novas tragédias.

A concluir só quero fazer uma pergunta aos senhores que definem as prioridades na Estradas de Portugal, S.A: então há carradas de dinheiro para colocar semáforos de, no mínimo, duvidosa utilidade (eu acho que, ali, é não só inútil como contraproducente), e não há uns míseros euros para sinalizar, seja com uns reflectores, uns simples traços transversais no piso ou mesmo a alteração da sua cor,
 um espaço que, não tendo carros estacionados ( e raramente tem), se transforma em verdadeira armadilha mortal por parecer uma outra faixa de rodagem? Não dá mesmo para entender, ou, se calhar, até dá...coisas "insignificantes" não terão grande interesse!

Para além das três fotos que já referi junto outras cinco, sendo as duas primeiras relativas ao acidente do dia 22 (ocultei as matrículas dos carros e a cara das pessoas envolvidas), pretendendo com as restantes documentar e ajudar a explicar o que escrevi sobre a perigosidade do local.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

BOM NATAL E MELHOR ANO NOVO

Estamos quase no Natal, uma festa cristã na sua essência que, tendo no presépio a sua representação mais pura e significativa e sendo, tradicionalmente, uma quadra sobretudo de vivência e encontro, ou reencontro, familiar, acaba por ser também, quase que por magia, talvez por sentirmos o conforto da presença daqueles que nos são mais próximos, ou porque o espírito de Natal a isso conduz, o tempo de repararmos que, afinal, os outros seres humanos também são, de algum modo, nossos irmãos.
Isso é bom, muito bom, mas é uma lástima que não sejamos capazes
 de o ter presente nos restantes 364 (ou 5) dias do ano. Porque será? Não tenho a pretensão de encontrar respostas, até porque elas serão múltiplas e variadas, mas  se cada uma das pessoas que tiver a paciência de ler este pequeno texto se der ao trabalho de reflectir um pouco sobre essa questão, já dou o tempo que gastei a escrevê-lo como bem empregado.

Os políticos, então, começando nos do poder central, desde o Presidente da República ao Primeiro Ministro e  vindo por aí fora até aos municípios, são pródigos, nesta altura, na difusão de mensagens de amor, solidariedade, necessidade de justiça, igualdade , união, etc, etc. Que fazem nos restantes dias do ano?
 Uns, criam e promulgam leis que vão no sentido contrário ao que apregoam, promovendo as desigualdades, acentuando as injustiças, outros são bem conhecidos (as) pela  forma caciqueira e turbulenta de fazer política no seu dia a dia, com recurso a  expedientes como pressões, ameaças, perseguições e outros meios nada compatíveis, sequer, com os princípios básicos de uma salutar convivência democrática, quanto mais com o espírito de Natal que  tão bem sabem propagandear.

  Sei que a época é de paz e alguns dos que me estão a ler
poderão pensar que a altura não é a mais propícia para relembrar coisas tristes. Penso, exactamente, o contrário. É agora que é preciso recordar às pessoas, sobretudo às que têm responsabilidades de governação e de gestão dos bens públicos que, amanhã, nas suas decisões e nos seus actos, se devem lembrar das belas palavras que hoje proferiram.
  
Mas também nós, cidadãos comuns, não podemos lavar as mãos, como Pilatos, nem olhar apenas para o nosso umbigo. Vivemos numa sociedade onde todos dependem de todos e temos a obrigação de estar atentos, de olhar à nossa volta, de apresentar propostas, denunciar situações de injustiça e exigir a sua reparação. Por outro lado, quantas vezes, com um simples gesto ou uma palavra amiga e de conforto
 não poderíamos minorar o sofrimento de alguns com quem nos vamos cruzando no dia a dia mas aos quais, na prática, nos recusamos, por puro egoísmo ou comodismo, sequer, a reconhecer.

Se assim fosse, o Natal faria bem mais sentido e teria um outro alcance, independentemente de acreditarmos ou não na faceta religiosa que o envolve e está na sua origem. Tal como é, pode ser um bom pretexto para os políticos passarem belas, mas hipócritas, mensagens, uma excelente oportunidade para a promoção do turismo, para o desenvolvimento da indústria e do comércio (sobretudo das multinacionais e das grandes superfícies), para um esporádico reencontro familiar mas…sinceramente, parece-me pouco. Está nas nossas mãos que venha a ser diferente.

A todos os meus amigos e, em especial, aos seguidores, comentadores e habituais leitores deste blogue, desejo um bom Natal e que 2012 passe, tanto quanto possível, ao largo de uma crise que outros provocaram, alguns dela beneficiaram e muito, mas como de costume, vamos ser nós a pagar.  
                                                        Forte abraço

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Até as fossas andam cépticas


Tampo da fossa séptica e caixa recém construída, ao fundo

No boletim municipal on line da Câmara de Caminha, com data de 5 de Dezembro de 2011, sob o título genérico de “Funcionários Municipais beneficiam o concelho” e sub-título “Foco de poluição pública eliminado em Vilar de Mouros”, pode ler-se, e passo a citar: “Os funcionários autárquicos realizam um conjunto de intervenções no concelho de forma contínua. Hoje destacamos uma acção no Bairro da Ranha, na freguesia de Vilar de Mouros. Há algum tempo que o saneamento de uma fossa céptica transbordava e corria a céu aberto, no Bairro da Ranha, em Vilar de Mouros. Através de uma parceria com a Junta de
Caixa nova
Freguesia que permitiu que as tubagens passassem por propriedade da mesma, os funcionários do Município encaminharam o saneamento da dita fossa para um local apropriado, evitando a poluição pública”.

Isto é o que diz o boletim camarário.

Depois de mastigar bem (quase me engasgava) toda esta “informação” a ver se a mesma mereceria um esforço da minha parte para a elaboração de um pequeno comentário, acabei por decidir que sim. Porquê? Porque chamar a isto informação é brincar com a gente e com o nosso dinheiro.


Caixa antiga

Se não, vejamos:
1 – Para começar, estou muito céptico relativamente à existência de qualquer fossa CÉPTICA na freguesia. Deve haver confusão. Só se ficou céptica (incrédula, descrente) por ter estado tantos anos à espera de uma intervenção que nunca mais chegava, mas acho que quereriam dizer SÉPTICA. Com tantos doutores no município custa a entender um erro tão grosseiro como este mas, enfim…isso ainda é o menos.
2 – Depois, trata-se de uma informação interessantíssima, a começar pelo título. Realmente, qualquer pessoa ficará de boca aberta ao
Pormenor da mesma caixa - vazia
saber que “os funcionários municipais beneficiam o concelho” e, ainda por cima, realizam “intervenções… de forma contínua”! Isto é espantoso, bolas… eu sempre pensei que eram contratados para prejudicar ou, vá lá, para fazer uns biscates só de vez em quando, muito em especial em anos de eleições! Bom, ainda bem que fui esclarecido e, como eu, os vilarmourenses que, muito em particular, raramente vêem por cá os tais funcionários. Isto, note-se, no presente, porque nos quatro anos do anterior mandato, então, os trabalhadores municipais deviam estar proibidos de pisar solo vilarmourense, não fosse a “moléstia” pegar-se! E a responsabilidade não é deles, como é evidente.


Obra feita daqui (Tornicos) até à fossa


3 – Falando agora da obra em si, não se percebe o que se quer dizer quando se diz que a Junta de Freguesia permitiu que as tubagens passassem por propriedade sua e “os funcionários do Município encaminharam o saneamento da dita fossa para um local apropriado, evitando a poluição pública”. Mas que local apropriado?! Qual local?! Que se saiba não vai haver nenhum novo local ou nova fossa. Vai, pelos vistos, ser reorganizada e melhorada(para já apenas se começou e falta a parte mais difícil, junto ao agregado habitacional) toda a rede de caixas e de tubagens que conduz, ou devia conduzir, as sobras residuais das casas para a fossa já existente e que se encontra de tal forma inoperacional que
Caixa antiga - Caminho dos Tornicos
faz com que nada, ou quase nada, chegue ao seu destino, espalhando-se, antes, pelo espaço a céu aberto junto ao bairro. No último verão, segundo informação de residentes, o mau cheiro era simplesmente insuportável e as pessoas nem as janelas podiam abrir. Assim, o problema não se centra, como parece depreender-se da leitura do boletim, na fossa em si, mas na rede que a ela conduz.

Quanto à parceria com a junta, óptimo, venham muitas parcerias dessas que a freguesia bem precisa, até porque neste caso concreto a parte que lhe coube já era antes de o ser: os tubos e a fossa já estavam em propriedade sua.

Caixa antiga - Caminho da Ranha


A concluir resta-me felicitar o município por,
finalmente, ter começado a realizar um trabalho de interesse e inadiável, que é a melhoria do saneamento básico de um lugar com tantas carências, e a vários níveis, como é o Bairro da Ranha. Não posso, ao mesmo tempo, deixar de lamentar que o boletim municipal, como um órgão de informação oficial do concelho, pago por todos nós, pareça ter sido feito em cima do joelho, sem qualquer rigor informativo, e se tenha “esquecido” de referir que a fossa séptica em causa, apesar de se tratar de uma obra de saneamento básico e, portanto, da única responsabilidade do município, ficou a dever a sua construção e manutenção, durante muitos anos, à anterior junta, sendo que, de 2005 a 2009, nem para esse fim recebeu um cêntimo que fosse do executivo liderado pela actual presidente. São assim alguns dos ” democratas” eleitos pelo povo, que tratam de forma igual toda a
Caixa antiga - Caminho da Ranha
 gente: a uns muito igual, a outros pouco igual e a outros ainda, nada igual. Mas sempre igual, como é de bom tom e politicamente correcto.



A terminar uma última pergunta : afinal vai ou não vai haver rede de saneamento básico em Vilar de Mouros…e para quando? Não me digam que vai ter de ser a troika a exigi-lo!?

Junto algumas fotos do local onde se situa a fossa, talvez a uns 100 metros do Caminho dos Tornicos, para sul/nascente, de uma caixa recém construída no âmbito dos actuais melhoramentos e de outras antigas, já quase desactivadas pelas razões acima explicadas.