VILAR DE MOUROS SEMPRE

Blogue que visa a promoção e divulgação de Vilar de Mouros, sua cultura, seus interesses, necessidades, realizações e suas gentes, mas que poderá abordar também outros temas, de ordem local, regional ou mesmo nacional.

domingo, 8 de abril de 2012

MANIFESTAÇÃO “EM DEFESA DAS FREGUESIAS”

A Anafre – Associação Nacional de Freguesias, organizou uma manifestação de protesto contra a intenção governativa de extinguir, ou aglomerar, freguesias, acabando com muitas juntas.
Essa intenção foi dada a conhecer publicamente, numa  primeira fase, através do denominado Livro Verde que previa, a serem aplicados com rigor os critérios de ordem numérica nele definidos, o fim de cerca de 1 400 freguesias, em todo o país e mais de metade das do con-
celho de Caminha. Todavia, a contestação  generalizada por todo o lado (não nos esqueçamos que a maioria das freguesias têm juntas afetas ao  maior partido do governo  e que daqui a pouco mais de um ano há eleições autárquicas…) fez com que se verificasse um recuo do poder central sem que, todavia,  deixassem de continuar a ser impostos limites de ordem  puramente aritmética. Assim,  a Proposta de Lei 44/2012 de Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, obriga à “aglomeração” de freguesias com menos de 150 habitantes e, no caso concreto do nosso concelho, classificado de nível 3, a uma redução de 25%  do seu número total.
 Estas duas exigências legais fariam com que, em Caminha, o número de freguesias baixasse, pelo menos, de 20 para 15, provavelmente à custa da “aglomeração” das três Argas (de Baixo, de Cima e de S. João) numa só,  e ainda  do “casamento forçado” de outras três (Azevedo? Orbacém? Cristelo? Gondar?...) com vizinhos de maior envergadura.
Foi contra esta decisão de o governo persistir em avançar com a imposição de limites elaborados a régua e esquadro, num qualquer gabinete de Lisboa, sem sequer  auscultar previamente os diretamente interessados, que são as populações locais, que a Anafre avançou com esta
grandiosa manifestação, que arrastou muitos e muitos milhares de pes- soas, do Minho ao Algarve, cerca de 200 mil, segundo a organização.
Apesar de também lá ter estado, não me atrevo a confirmar os números apresentados (quando ia a meio da contagem…distrairam-me e enganei-me…) mas posso garantir que o desfile formado junto ao Marquês de Pombal e que percorreu toda a Avenida da Liberdade, durante horas, até ao Rossio, foi impressionte, não só pelo elevadíssimo número de paricipantes mas sobretudo pela
beleza, pela arte e pela variadíssima representati- vidade etnográfica e cultural que dele emanava. Ali, sim, estava o Portugal profundo e o seu povo.
As fotos que junto, tiradas no percurso para Lisboa, na preparação, realização do desfile  e no encerramento, no Rossio, em que discursou Armando Vieira, Presidente do Conselho Diretivo da Anafre, são bem elucidativas do que acabo de escrever. Claro que não podia deixar de dar algum destaque a Vilar de Mouros, com sete pessoas presentes, incluindo três delegados da Assembleia Municipal e representantes de várias instituições locais
(Junta de Freguesia, Centro de Instrução e Recreio e Grupo Motard) mas também ao  concelho de Caminha e distrito de Viana do Castelo, de onde partiram, respectivamente,  cinco e quarenta camione- tas.
Esperemos que tanto esforço, empenho e entusiasmo tenham servido para algo e que os senhores que se julgam donos do país só porque, ocasionalmente, venceram umas eleições (não teriam sido os outros que as perderam, como amanhã vai acontecer, fatalmente, com estes?!)  reconsiderem, olhem cá para baixo dos seus poleiros e respeitem, por uma vez que seja, as pessoas mais humildes e carenciadas, muitas das quais até lhes confiaram o voto e que têm nas juntas que pretendem  extinguir o primeiro pronto-socorro para as suas  múltiplas necessidades.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pesca ao meixão no Rio Minho

O Rio Minho, curso de água que faz fronteira, numa extensão aproximada de setenta e cinco quilómetros, entre Portugal e Espanha, desde Cevide, localidade mais a norte do nosso país, na freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço, até Caminha, onde desagua no mar, junto ao forte da Ínsua, é bem conhecido, para além da deslumbrante beleza das suas paisagens, pela abundância e qualidade ímpar das múltiplas espécies piscícolas das suas águas, de que destaco o salmão, o sável, a truta, a solha, o robalo, o meixão e a lampreia. Não estranha, assim, que haja muitos pescadores, de ambas as margens do rio que, nas épocas próprias, normalmente de inverno, se lancem nas suas frágeis embarcações, às horas mais indicadas em função das marés, em busca do sustento ou de um complemento do sustento familiar. Parece ser uma faina rentável, quando corre bem e a sorte ajuda, mas é seguramente dura e mesmo perigosa, sobretudo à noite,
muito em especial quando o estado da água e as condições climatéricas não são as melhores. As várias  tragédias ocorridas nesse local comprovam, infelizmente, isso mesmo.
As fotos que junto foram tiradas do topo norte do areal da praia do Camarido, em Caminha, no dia 17 de Fevereiro último, ao escurecer, as primeiras ainda com bastante luz e as últimas quase de noite, quando os pescadores do meixão começavam a chegar e a estender as suas redes. Note-se que este rio é o único, em Portugal, onde a pesca a esta espécie ainda é permitida. Céu limpo, barra em tons avermelhados, indiciadora de bom tempo e a quase ausência de vento eram a garantia, em princípio, de uma jornada de pesca tranquila mas, em contrapartida, o termómetro deve ter baixado dos zero graus…brrrrrrrr! Eu e o meu companheiro de expedição, o professor Paulo Bento, estivemos junto à água cerca de 40 minutos e já saímos em passo acelerado...   imagino os pescadores que por aí
permaneceram uma boa parte da noite! Assim, é a eles e, muito em especial, ao Rui Fernandes, professor/pescador que também por lá andava e que me deu indicações preciosas sobre o melhor local e altura para as obter, que dedico as fotos que apresento (clicar para aumentar). 
Espero que gostem…e continuação de boas pescas.