Infelizmente já começa a não ser novidade, é quase uma rotina: periodicamente os peixes do Rio Coura vão sendo dizimados de uma forma tão maciça e eficaz que até parece programada, como num genocídio. Sobretudo no Verão, com certeza pela acentuada diminuição do caudal de água e consequente maior concentração nela de produtos tóxicos ou outros nocivos aos peixes e falta de oxigenação, estes fenómenos acontecem com muito mais frequência.
Como em épocas balneares a praia fluvial das Azenhas é bastante frequentada, qualquer dia Vilar de Mouros passa a ter mais uma potencial atracção turística. Estou mesmo a ver o “cartaz”: "Visite Vilar de Mouros e venha assistir ao mais espectacular desfile de peixes mortos ou moribundos no Rio Coura…dia (ou dias) tantos de tal…! Entradas gratuitas!"Basta reparar na foto que tirei à praia fluvial no dia do “massacre”, para se ver a quantidade de pessoas que assistiu em directo, sem querer, ao espectáculo, não anunciado, deste ano. Todas as fotos (que podem ser ampliadas clicando e algumas têm legenda) foram tiradas dia 29, entre a ponte e a azenha. Agora imagine-se o que seria se o acontecimento fosse bem divulgado, com antecedência, na comunicação social e com muitos cartazes…como nas eleições!...
Agora falando a sério, porque se trata mesmo de uma questão séria, será que isto é mesmo inevitável? Não se pode fazer nada? Ninguém é responsável? Não há culpados? Acontece uma, duas, três, cinco, dez vezes e as entidades oficiais não dizem nada?
Depois admiram-se que as pessoas se revoltem quando um pescador à linha, com uma simples cana de pesca, ou um “caçador” de fisga, cometem o gravíssimo crime de apanhar ilegalmente um bogardo ou fisgar um dos muitos milhares de exemplares de lampreias que sobem todos os anos este rio e são, esses sim, não escapam, severamente castigados! Acho que já é tempo de começarmos a tratar TODAS as pessoas deste país, que se diz de direito, de forma semelhante. Ou não? Eu devo ser um lírico!
Já agora e porque se ouviu falar, nos dias que precederam o Festival de Paredes de Coura do ano passado e também no que agora iniciou, na possibilidade de existência de salmonelas no Rio Coura, por simples curiosidade escrevi no motor de busca do Google (passe a publicidade) a palavra “salmonelas” e fui encontrar, de entre outras coisas, uma notícia do “Correio da Manhã” de 30 de Julho de 2010 (hoje, ou amanhã, se preferirem, pois são 3 da madrugada) que diz, e passo a citar:
“Um relatório da Câmara Municipal de Paredes de Coura concluiu que a água do rio Tabuão, que está integrado no recinto do Festival Paredes de Coura, não tem salmonelas, depois de o assunto ter gerado dúvidas entre as autoridades. A organização do evento, que arranca na quinta-feira, aplaude esta conclusão.”
Sem de qualquer modo querer insinuar seja o que for, achei muito curiosa esta notícia e esta coincidência de datas e acontecimentos. Foi bom para tranquilizar os “festivaleiros” que gostam de tomar banho…não sei se terá sido assim tão bom para os peixes, mas não me compete a mim averiguar.







































